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TNC renova projeto de regularização ambiental de produtores do Mato Grosso

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A organização The Nature Conservancy (TNC) e a multinacional suíça Syngenta renovaram o projeto Soja+Verde, que prevê a regularização ambiental de produtores do Alto Teles Pires, em Mato Grosso. A iniciativa envolveu também prefeituras, sindicatos e representantes do Ministério Público.

Com a parceria, quase 7 milhões de hectares de nove municípios no estado – o equivalente a 8.100 fazendas – foram mapeados e 38 mil hectares degradados de Áreas de Preservação Permanente (APP) foram identificados. Essas áreas são consideradas cruciais para a preservação dos recursos hídricos, estabilidade geológica e biodiversidade. De acordo com o Código Florestal, os produtores brasileiros devem, obrigatoriamente, recuperar suas APPs.

Após a fase de diagnóstico dos passivos, a etapa seguinte é de recuperação ambiental. Segundo Leandro Conti, diretor de assuntos corporativos da Syngenta Brasil, dos 38 mil hectares de APP degradados, cerca de 15 mil estão em processo de recuperação – sinal de que a nova agenda de sustentabilidade no campo começa a tomar forma. A meta é recuperar mais 2 mil hectares até o início de 2017.

Para isso, TNC e Syngenta pretendem criar o primeiro Plano de Negócios de Restauração Florestal da região. A ideia é detalhar os desafios do produtor para a restauração e oferecer aos governos locais sugestões de como superar esses gargalos, além de apoiar algumas das soluções. “Uma das demandas mais comuns é a dificuldade em obter sementes e mudas de espécies nativas, em quantidade e a preços acessíveis”, comenta Conti.

A expectativa é capacitar prefeituras e iniciativa privada da região para oferecer esses insumos, por meio do incentivo ao trabalho de viveiristas, coletores de sementes e planejadores. “Vamos dar treinamentos para estimular a organização da cadeia produtiva, desde a produção de sementes até a organização de viveiros e prestação de serviços no campo”, diz Gina Timótheo, coordenadora da TNC em Mato Grosso.

O mapeamento também será disponibilizado às prefeituras, para ajudar na gestão do território, e aos produtores, que terão dados atualizados de seus passivos, de forma a cumprir a legislação ambiental.

O trabalho de recuperação florestal tem se tornado ainda mais urgente devido à reversão de tendência da taxa de desmatamento no país, que voltou a subir depois de quatro anos em queda. Entre agosto de 2012 e julho de 2013, Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, foi o segundo estado que mais desmatou no país: 1.139 km², atrás do Pará, que derrubou outros 2.346 km² de floresta amazônica.