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Burocracia, inércia e desinteresse impedem funcionamento do Centro de Visitantes do Parque Estadual do Rio Preto

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Os visitantes do Parque Estadual do Rio Preto não podem ter acesso a informações importantes sobre a unidade de conservação porque seu Centro de Visitantes, que deveria cumprir missão educativa e informativa, está fechado ao público há três anos. Quanto tomou posse em 2010, o ex-secretário Adriano Magalhães determinou abertura de inquérito administrativo para apurar possíveis irregularidades na contratação da ONG que desenvolveu o projeto de exposição sobre biodiversidade e história do Parque Estadual do Rio Preto. Desde então ele está fechado, prejudicando as funções educativas da unidade de conservação.

O gerente do Parque, Antônio Augusto Tonhão de Almeida, explica que o Projeto foi baseado em meses de pesquisa, fotografias e depoimentos. Para exibir o resultado deste trabalho, foram comprados diversos equipamentos, que estão estocados, correndo risco de deterioração, ocupando espaço e inutilizando área que antes era utilizada para reuniões, palestra e eventos.

Tonhão conta que, por diversas vezes durante esses anos, solicitou ao Instituto Estadual de Florestas (IEF) a retirada dos equipamentos ou término da montagem da exposição para que o Centro fosse reaberto. A Amda também realizou a mesma solicitação por diversas vezes, mas nunca obteve resposta.

“Chegou a um ponto que a situação virou motivo de deboche, tanto para o Parque quanto para o IEF, porque pessoas que visitaram o Parque há três anos e voltaram agora perguntam sobre a exposição e fazem piada da situação.”, relata o gerente.

Antônio conta que, na época que o projeto estava sendo desenvolvido, foi dito o Centro estaria aberto à visitação em menos de 30 dias. “Dois anos se passaram desde que fizeram o projeto, e o Centro ainda está fechado. Não temos nenhuma notícia, não sei nem em que ‘pé’ está a auditoria. Se a exposição nunca for acontecer, gostaria de ao menos poder liberar espaço e aproveitar a área para outra coisa.”, lamenta.

A Amda apurou a situação e descobriu que nenhuma irregularidade foi encontrada na contratação da ONG, e mesmo assim, o centro não é reaberto por burocracia dentro da Semad/IEF. Dalce Ricas, superintendente executiva da Amda, esclarece que há dois aspectos no problema: um envolve o término do projeto, considerando tanto sua importância, quanto o que foi gasto de recursos públicos para sua contratação. E o outro, é a reabertura do Centro aos visitantes do Parque, que independe do primeiro.

Em resposta à Amda, o gerente do Parque informou que não retira os equipamentos que estão ‘entulhandos’ por não ter autorização da direção do IEF, e qualquer estrago seria de sua responsabilidade.

“A situação seria cômica se não fosse tão absurda. Se os órgãos ambientais não conseguem resolver um problema tão simples, o que esperar deles em relação a ações muito mais complexas como proteger a biodiversidade e a água no Estado”, ironiza Dalce.

Sobre o Parque

O Parque Estadual do Rio Preto está localizado no município de São Gonçalo do Rio Preto, distante 70 Km de Diamantina. O Parque está inserido no complexo da Serra do Espinhaço e possui uma área total de 12,185 hectares, abrigando diversas nascentes, dentre as quais se destaca a do Rio Preto, um dos mais importantes afluentes do Araçuaí, afluente do Rio Jequitinhonha.