Array
Notícias

Plenário do Copam discutirá riscos de fogo nos parques de Minas

Array
Plenário do Copam discutirá riscos de fogo nos parques de Minas
Foto: Rio do Parque do Biribiri / Créditos: Wikipedia

Acontecerá no dia 10 de julho, quinta-feira, às 14h, a 161ª Reunião Ordinária do Plenário do Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM). Estão pautados para a reunião informes sobre a estrutura dos parques mineiros para combater incêndios florestais, que este ano, devido à seca, correm grandes riscos de serem destruídos pelo fogo.

O assunto foi incluído na pauta por solicitação da Amda em ofício encaminhado à Semad, no qual a entidade alerta para graves deficiências estruturais, citando como exemplo o Parque do Biribiri em Diamantina, que conta somente com dois fiats Uno para transportar brigadistas e equipamentos diversos, como bombas hídricas. A ONG também cita o Parque da Serra do Brigadeiro, situado na região Leste do Estado, nos municípios de Araponga e Fervedouro, com 15 mil hectares de Mata Atlântica.

Um dos principais motivos para sua criação em 1994, além da preservação de importantes remanescentes de Mata Atlântica, foi proteger populações de Muriquis descobertas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). O Muriqui é o primata mais ameaçado das Américas, sendo endêmico do bioma Mata Atlântica também em risco de extinção devido ao desmatamento e incêndios.

Considerado um paraíso botânico, o Parque constitui um ecossistema rico em espécies vegetais como bromélia, peroba, ipê, orquídea, cajarana, jequitibá, óleo-vermelho e palmito doce. A neblina que, durante quase o ano todo, cobre os picos onde se localizam os campos de altitude, propicia condições para a formação de um ecossistema rico em orquídeas, samambaias, liquens, bromélias, variedades de gramíneas, arbustos e cactos, dentre outras espécies, altamente sensíveis a fogo, que pode causar sua extinção do mesmo.

O relevo acidentado, formado por picos de granito com quase 2.000 metros de altitude e o layout da área do Parque exigem deslocamentos em grandes distâncias. Segundo a Amda, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) contratou 10 brigadistas que não terão como se deslocar para as frentes de fogo porque o Parque não tem veículos tracionados.

“A situação é tão calamitosa que nem bateria os rádios do Parque têm, equipamento indispensável no combate. Vigilância, comunicação e rapidez são fatores fundamentais para êxito no combate, se a situação continuar como está, não existirão.”, alerta Dalce Ricas, superintendente da Amda.

O Parque do Rola Moça, que teve 90% de sua área atingida por gigantesco incêndio em 2011, é outro exemplo. Por limitar-se com rodovias e áreas urbanizadas, os riscos de incêndios são altíssimos e a prevenção e combate ao fogo exige infraestrutura específica. Mas, segundo a Amda, também não dispõe de veículos tracionados e caminhões-pipa.

“Em 2011, se os incêndios tivessem sido enfrentados com responsabilidade o Parque não teria sido queimado. O maior fogo que o atingiu, depois de queimar uma grande área, pulou a estrada que o atravessa e queimou o resto. Se tivessem caminhões pipas para detê-lo, isto não teria acontecido”, diz a superintendente.

Informações sobre o Cadastro Ambiental Rural, recolhimento e aplicação de recursos da compensação também fazem parte da pauta da reunião, que será realizada na Rua Espírito Santo, nº 495/4º andar, no Centro de Belo Horizonte.