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Montes Claros anuncia plano emergencial preventivo para tremores de terra

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Seis tremores de terra foram registrados no início desta semana em Montes Claros, localizada no Norte de Minas Gerais. Os tremores deixaram 90 mil domicílios da região sem energia elétrica. A cidade tem um histórico de ocorrência de eventos sísmicos que teriam como causa uma falha geológica localizada no município, segundo estudos feitos pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB). A administração municipal anunciou um plano emergencial preventivo.

O prefeito Ruy Muniz anunciou que uma licitação já foi aberta para a aquisição de dois novos veículos para a Defesa Civil. Dois novos sismógrafos também serão comprados e instalados em pontos estratégicos. Segundo reportagem do jornal Estado de Minas, Muniz criticou a falta de ajuda do governo e também dos sismógrafos instalados no município que não estão em funcionamento. “Dos 12 instalados na cidade, somente três estão em funcionamento. Não podemos mais ter esta atitude pacífica, pois estudos já foram feitos pelas universidades que vieram até Montes Claros, mas nenhuma conclusão foi tirada. Vamos fazer a nossa parte com o que podemos, mas sem o apoio dos governos fica difícil. O governo Federal presta ajuda a outros países, mas para nós, que estamos dentro dos limites territoriais brasileiros, ele não estende as mãos”, declarou o prefeito.

Outra medida anunciada foi o aumento da distribuição de cartilhas em escolas para orientar sobre como agir diante dos abalos, além de melhorar a estrutura das casas em 18 áreas de baixa renda e propor mudanças no procedimento que regulamenta a liberação de projetos de construção.

Abalos

Além dos abalos sísmicos registrados em Montes Claros, os noticiários também relataram o terremoto ocorrido no Chile, de 8,2 pontos na escala Richter – ferramenta que mede a magnitude do tremor. Apesar de terem a mesma origem, ou seja, o movimento das placas tectônicas – a superfície terrestre é “quebrada” em 52 pedaços, sendo 14 grandes placas -, há uma grande diferença entre os tremores.

“São processos diferentes de formação dos abalos. Os chilenos estão bem próximos ao encontro das placas Sulamericana e de Nazca. Por ser uma região que se movimenta mais, ocorrem os maiores tremores. No caso de Montes Claros, como o Brasil está no centro da placa tectônica, a cidade deu o azar de ser um ponto fraco, por onde sai a tensão que está presente em todo o bloco sulamericano”,explicou Paulo Roberto Aranha, professor do Instituto de Geociências da UFMG.

Esse tipo de tremor na cidade mineira, que é uma espécie de válvula de escape para a tensão que a placa Sulamericana sofre, é comum em vários pontos do país. O local onde podem ocorrer esse tipo de sismo, de acordo com o professor, depende apenas da existência de pontos fracos no subsolo, o que favorece a saída da força acumulada na placa. Já foram registrados abalos de baixa magnitude em cidades como Betim, Pedro Leopoldo, Bonsucesso e Macacos.