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Relatório do IPCC apresenta cenário sombrio das mudanças climáticas

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Inundações, escassez de água e de alimentos provocadas pelas mudanças do clima provocarão aumento no deslocamento de populações e acirrarão conflitos entre países. Essas são algumas das conclusões apontadas no segundo volume do quinto Relatório de Avaliação elaborado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPPC, na sigla em inglês), considerado um dos mais sombrios documentos produzidos até hoje. De acordo com Rajendra Pachauri, presidente do IPCC, se o mundo não reduzir a emissão dos gases de efeito estufa as consequências do aquecimento global podem “sair de controle”.

Segundo o relatório do IPCC, se até o fim do século XXI a temperatura global aumentar além de 2º Celsius o homem poderá perder o controle sobre os fenômenos naturais. O documento pontua que há fortes evidências de uma redução da oferta de água potável em regiões subtropicais secas, o que aumentaria disputas entre regiões pelo uso de bacias hidrográficas – algo semelhante ao que acontece atualmente entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com a briga pelo uso da água do rio Paraíba do Sul para abastecer o Sistema Cantareira.

A desertificação da África deverá aumentar o deslocamento de pessoas em direção à Europa. Em um mundo com cada vez menos água potável e alimentos, restará às populações mais afetadas pelas mudanças climáticas a alternativa de migrar para outras regiões em busca de sobrevivência. Esses deslocamentos vão gerar conflitos, como os já registrados em países da Europa, às voltas com migrantes clandestinos vindos da África.

De acordo com o IPCC, a população pobre, principalmente de países tropicais, como o Brasil, será a mais afetada por situações de seca e inundação, com risco de insegurança alimentar caso não haja planejamento para adaptar culturas agrícolas às possíveis realidades. “Agora nós estamos em uma era na qual a mudança climática não é algum tipo de hipótese futura”, afirmou Chris Field, um dos autores líderes do estudo.

O relatório estima ainda uma elevada perda de espécies de plantas e animais pela pressão humana, como a poluição e o desmatamento de florestas, além de redução dos recifes de corais no Caribe e costa de países tropicais, como o Brasil, em função da acidificação, fenômeno causado pelo excesso de CO2 na atmosfera.

Para o coautor do estudo Saleemul Huq, “as coisas estão piores do que previmos” em 2007, quando o grupo de cientistas emitiu um relatório semelhante. “Nós veremos cada vez mais impactos, mais rápido e antes do que antecipamos.”