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Ibama autoriza desmatamento em APP para construção de reservatório de Belo Monte

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Ibama autoriza desmatamento em APP para construção de reservatório de Belo Monte
Construção da hidrelétrica de Belo Monte / Crédito: Marizilda Cruppe

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou o desmatamento das áreas que vão abrigar o reservatório da hidrelétrica de Belo Monte, em construção em Altamira (PA), no rio Xingu. O Ibama permitiu que o consórcio Norte Energia destrua uma área total de 9.112 hectares. Desses, 3.824 estão localizados em Áreas de Preservação Permanente (APP).

De acordo com reportagem do portal Valor Econômico, para compensar a retirada da vegetação de APPs, a Norte Energia será obrigada a recuperar a vegetação em uma área do mesmo tamanho na região que sofre influência direta do empreendimento. As exigências incluem ainda o beneficiamento no próprio local da madeira extraída.

A Norte Energia pretende iniciar o enchimento de seu reservatório até o fim deste ano. Contudo, a autorização dada pelo Ibama não permite que o consórcio inicie esse processo assim que concluir a retirada da vegetação. Para isso, é necessário que o empreendedor comprove o cumprimento de todas as ações compensatórias da licença de instalação.

A área total do reservatório que será formado por Belo Monte é de 503 quilômetros quadrados, dos quais 228 km correspondem ao próprio leito natural do rio Xingu, segundo a Norte Energia.

Apesar de as novas autorizações liberarem o desmatamento nas áreas do reservatório, a retirada de vegetação já avança a passos largos na região por conta da construção da usina e de seus canteiros de obras. A destinação de milhares de toneladas de madeira extraídas de Belo Monte é criticada pelo Instituto Socioambiental (ISA), com base em pareceres técnicos elaborados por agentes do Ibama que monitoram a obra.

Desde o fim de 2012, conforme a organização, analistas ambientais têm constatado problemas quanto à forma de estocagem e monitoramento das toras, além de erros na contagem e classificação do material. Em um relatório de vistoria técnica realizado no ano passado, segundo o ISA, analistas chegaram a afirmar que o canteiro de obras tinha se transformado em um “sumidouro de madeira”. O Ministério Público Federal (MPF) no Pará conduz um processo interno de investigação sobre o caso.

Com 11.233 megawatts (MW) de potência, Belo Monte terá uma geração média de 4.571 MW por ano, quando estiver operando a plena carga, a partir de 2019. Durante cerca de quatro a cinco meses, a maior parte de suas turbinas não poderá funcionar, por conta do período seco do Xingu.


Com informações do Valor Econômico