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RJ: Reserva Biológica de Poço das Antas tem mil hectares destruídos por incêndio

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RJ: Reserva Biológica de Poço das Antas tem mil hectares destruídos por incêndio
Uma família de quatis morreu queimada. Três outros membros da família foram vistos ainda vivos nas proximidades / Crédito: Antônio Bragança/AMLD

Com uma brigada voluntária montada às pressas, o incêndio que destruiu mil hectares da Reserva Biológica (Rebio) de Poço das Antas, localizada nos municípios de Silva Jardim e Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, foi debelado neste domingo (9). As chamas, que começaram na última sexta-feira (7), vieram de um acampamento de reforma agrária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) situado no entorno da reserva.

Segundo o gerente da Rebio, Gustavo Luna Peixoto, a sede da reserva estava sem telefone há um mês – a linha foi reativada nesta segunda-feira (10). Peixoto disse também que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra as unidades de conservação federais, contrata brigadas de incêndio apenas no período crítico de estiagem.

“O Instituto Chico Mendes, que administra as unidades de conservação federais está com dificuldades orçamentárias profundas. Na hora ‘H’ não havia brigada de incêndio nem esquema de emergência. O telefone da Rebio estava cortado e foi usado o da AMLD (Associação Mico Leão Dourado). O órgão estadual alegou dificuldades em outros parques. O chefe da reserva fez muito mais do que poderia, diante de tanta precariedade. Os bombeiros apareceram 48 horas depois. Não havia condições materiais nem treinamento para aqueles homens”, relatou Luiz Paulo Ferraz, secretário executivo da Associação do Mico-Leão Dourado, que funciona dentro da Rebio.

Confira as palavras de Ferraz, em depoimento divulgado por ele na rede social Facebook: “Poço das Antas é a primeira Reserva Biológica do Brasil. Habitat do mico-leão-dourado, da preguiça-de-coleira e de outras espécies importantes da fauna e flora da Mata Atlântica. Tem valor histórico e simbólico na luta conservacionista. É sede de um dos mais importantes trabalhos integrados para salvar uma espécie da extinção, o mico-leão-dourado, candidato a mascote olímpico.

O Brasil é uma potência mundial em biodiversidade. Um país atualmente com destacada visibilidade, seja pelos grandes eventos esportivos, seja pela vitalidade de sua economia e suas contradições sociais. O Rio de Janeiro é a grande vitrine do Brasil. Um incêndio na sua reserva mais simbólica não pode ser justificado pelos burocratas apenas como mais uma fatalidade causada pelo calor ou por um agricultor desavisado.
(…)
A Reserva Biológica de Poço das Antas não tem brigada de incêndio nesta época do ano por falta de recursos. É evidente que normalmente costuma chover mais no verão. Mas não é o primeiro verão que a reserva tem esse mesmo problema.
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Não é possível que as imagens de corpos de capivaras, preguiças, quatis e tantas árvores queimadas sejam rapidamente esquecidas por todos nós, na velocidade da internet. Não é possível ver tantas autoridades circulando em veículos oficiais, desfilando de helicóptero, nossos colegas técnicos realizando tantas reuniões importantíssimas mundo afora, mas que não sejamos capazes de apagar com o mínimo de profissionalismo um incêndio previsível.

Vimos outro dia o ex-secretário de Meio Ambiente deixar seu cargo orgulhoso de um chamado desmatamento zero no estado do Rio de Janeiro. Cansa escutar tantas frases espetaculares, números superdimensionados, diante da incapacidade de organização para o mínimo necessário.

Nós, que gostamos ou atuamos com os temas ambientais, temos que ter a consciência de que estamos perdendo muitas batalhas e refletir seriamente sobre isso. A sociedade brasileira, que demonstra tanta sensibilidade ao ver um animal maltratado, precisa entender também que o nosso modelo desenvolvimento a qualquer custo está fora de moda. E que proteger o que resta da nossa biodiversidade não é problema de ambientalista”.

De acordo com o gerente da reserva, o responsável pelo acampamento foi multado pelo ICMBio em R$ 80 mil e notificado pelo Incra para deixar a área.