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Quase 500 mil m³ de madeira foram derrubados ilegalmente de unidades de conservação e terras indígenas e vendidas neste ano

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Quase 500 mil m³ de madeira foram derrubados ilegalmente de unidades de conservação e terras indígenas e vendidas neste ano
Área de floresta devastada no Acre / Crédito: Peter Muller / Bild

Quase 500 mil metros cúbicos de madeira foram derrubadas ilegalmente em terras indígenas e unidades de conservação no Maranhão e no Pará apenas neste ano. O volume representa carga suficiente para encher 14 mil caminhões de transporte deste tipo de material. Os criminosos invadiam o Sisdof, sistema de controle florestal mantido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para obter documentos oficiais para créditos e facilitar o comércio.

Segundo o diretor de Fiscalização do órgão ambiental, Luciano Evaristo, as fraudes foram detectadas há um ano. “Monitorando as transações, a gente percebeu um tráfego de crédito no sentido contrário ao normal. Estava vindo crédito de fora do estado do Maranhão para o Maranhão e do Cerrado do Maranhão para perto das áreas indígenas. E recebemos queixas de várias empresas que tinham tido suas senhas roubadas”, explicou.

Para conseguir o documento que funciona como uma espécie de licença, conforme reportagem da Agência Brasil, os criminosos entravam no sistema do Ibama e simulavam transações comerciais usando a senha de empresas que têm autorização do governo para comercializar madeira legal. A partir dessas operações, os fraudadores criavam uma situação fictícia de venda, passando o crédito de licença para uma empresa fantasma ou irregular que extraía madeira da Reserva Biológica do Gurupi e de terras indígenas situadas entre os estados do Maranhão e Pará, como Awá, Caru, Alto Turiaçu e Alto Rio Guamá.

Foram emitidos 50 mandatos judiciais, sendo 21 de prisão preventiva de suspeitos. Evaristo disse que ainda não é possível apontar quantas pessoas estavam envolvidas no esquema. As outras ordens judiciais autorizam agentes da Polícia Federal a fazer buscas e apreensões de documentos, equipamentos e produtos madeireiros.

Ainda de acordo com a reportagem, o Ibama bloqueou as atividades de mais de 200 empresas que seriam beneficiadas com o esquema e retirou os “créditos” de madeira das contas dessas madeireiras.