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Gerente do Parque Estadual do Rio Preto expõe sua paixão pela UC na Terça Ambiental

Gerente do Parque Estadual do Rio Preto expõe sua paixão pela UC na Terça Ambiental
Antonio Augusto Tonhão de Almeida

“Apesar das dificuldades que existem, eu adoro isso! E me candidataria para gerenciar outras unidades de conservação”, disse Antonio Augusto Tonhão de Almeida, gerente técnico do Parque Estadual do Rio Preto. Assim começou a palestra de Tonhão ontem (29), durante a 25ª Terça Ambiental. Ele contou em detalhes os desafios de sua gestão, a história de criação do parque, do qual foi peça fundamental, e sua paixão pela Unidade de Conservação (UC).

A história do parque se confunde com a luta dos moradores para salvar o rio Preto. O local, mais especificamente a praia do Lapeiro, foi alvo de garimpeiros. Moradores locais começaram um movimento em defesa do rio e, naquele momento, Tonhão se candidatou à prefeitura de São Gonçalo do Rio Preto, cidade onde o parque seria instalado anos mais tarde. Com promessas para solucionar o problema do garimpo, Tonhão foi eleito e ficou quatro anos na prefeitura. “Um dos meus primeiros ofícios foi sobre a viabilidade para criação do parque”, lembrou. Quando foi criado, em 1994, a unidade possuía 10.755 hectares. Depois houve uma ampliação, deixando o parque com 12.185 hectares aproximadamente, o que corresponde a 40% da área total do município de São Gonçalo.

Durante o processo de criação da UC, Tonhão encontrou várias dificuldades. Entre elas, a construção da estrada para acesso ao parque e o projeto de pavimentação, que não foi aceito pela comunidade em função das desapropriações programadas. Depois, os desafios relacionaram-se à construção da infraestrutura do parque, que hoje possui uma das mais completas no que se refere a unidades de conservação de Minas Gerais. A unidade possui: portaria, estacionamento, restaurante, Centro de Visitantes com auditório para 70 pessoas, duas salas de reunião para 30 pessoas cada e uma sala para exposições. Além disso, existem 12 alojamentos que podem abrigar até 49 pessoas e a área de camping comporta até 15 barracas, com quiosques, churrasqueiras, lavatório de pratos e roupas, vestiários e fonte de água potável.

Outro desafio da gestão foi a contratação de pessoal. Segundo Tonhão, aos poucos ele conquistou a confiança dos moradores, que se tornaram, além de funcionários do parque, grandes aliados para a preservação da unidade. Atualmente, 33 pessoas trabalham na UC e, todas, possuem capacitação para combater incêndios florestais. “Toda a área do parque tem aceiros. Além disso, temos uma sala de brigada com equipamentos e contamos com o apoio dos bombeiros de Diamantina”, disse.

A inconstância dos recursos financeiros para gestão da unidade é uma dificuldade enfrentada até hoje. “Este ano eu chamei os funcionários do parque e fizemos um mutirão para fazer a manutenção dos aceiros, pois não podíamos contar com a verba. Quando estávamos acabando, o dinheiro havia sido liberado, mas como já tínhamos trabalhado nisso, disse que podia repassar para um município que estivesse precisando mais”, contou. Tonhão defende que as UCs tenham sua própria arrecadação e que uma parte do dinheiro fique diretamente com os gestores para que pequenas manutenções, como trocas de lâmpadas ou torneiras, por exemplo, possam ser feitas imediatamente. Esse recurso viria por meio do pagamento feito pelos visitantes para entrar no parque, pela hospedagem e consumo no restaurante. Atualmente, o parque recebe, em média, 500 pessoas por mês. A meta é aumentar esse número de 15% a 20% por ano.

Para o gerente, a gestão de unidades de conservação deve ser baseada em alguns pilares importantes, como os utilizados por ele no parque do Rio Preto. São eles: projetos de gestão consciente, educação ambiental com a comunidade no entorno da UC e parceria com organizações de pesquisa, no caso com o Instituto Biotrópicos.

Durante o sorteio de brindes institucionais no final da Terça Ambiental, Tonhão ofereceu uma diária no parque. A sortuda foi Nágila Gomes Lacerda, que tem direito a estadia no parque de sexta a domingo, com acompanhante.