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Mato Grosso registra aumento de 103% em focos de queimadas

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Um crescimento de 103% nos focos de queimadas em Mato Grosso colocou em alerta a Secretaria do Estado de Meio Ambiente (Sema), que já antecipou os trabalhos de fiscalização. Entre 1º de janeiro e 14 de junho de 2010, 6.871 focos foram detectados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mais que o dobro dos 3.376 registrados no mesmo período em 2009. O aumento levou o estado, que ocupava o terceiro lugar no ranking nacional de queimadas em 2009, ao primeiro em 2010.

Lançada nesta segunda-feira (21), a operação de combate vai contar com 40 profissionais, entre bombeiros, policiais do Batalhão Ambiental e fiscais da Sema, que vão visitar municípios onde foram detectados maiores números de focos de incêndio. Divididos em 10 equipes, os membros da operação irão realizar trabalho de avaliação e prevenção nas áreas mais afetadas.

O coordenador de Fiscalização da Sema, Eduardo Rodrigues, afirmou que a maioria dos casos tem ocorrido em assentamentos e terras indígenas. "O fogo é um marco cultural para os índios. É utilizado na caça e nos rituais. Então é difícil evitar. Quando temos queimadas nestas reservas precisamos de autorização da Funai para entrar e realizar o trabalho de contenção", disse.

Entretanto, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), responsável pela fiscalização das terras indígenas, contestou os dados da Sema, alegando que a maioria dos focos de incêndio ocorre, na verdade, em grandes propriedades.

O coordenador estadual do Sistema de Prevenção Nacional e Combate aos Incêndios Florestais (PrevFogo), Cendei Ribas Berni, também refuta a explicação da Sema, e garante que em 2009 apenas 10% das queimadas aconteceram em reservas. "As terras indígenas representam apenas 20% do território mato-grossense e somente 10% dos focos foram nestas áreas. No ano passado, eles também quiseram jogar a responsabilidade para os indígenas, mas sabemos que a maioria dos focos ocorre em fazendas", defende.

Ainda segundo ele, o Ibama capacitou 9 brigadas de combate a incêndios no Estado, 2 delas em aldeias indígenas, que vão atuar durante todo o período de risco. "Além desse trabalho realizamos, constantemente, operações de fiscalização no Estado todo", afirma.

De acordo com dados do Inpe, o município de Santa Carmem é o campeão no ranking de focos no estado, com 690 focos de calor detectados até o momento. A cidade, que possui pouco mais de 4 mil habitantes, tem como principal atividade econômica a agricultura.