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Plantas raras ameaçadas

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A Conservação Internacional do Brasil (CI), organização não governamental (ONG) com sede em Washington, em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana lançaram o livro "Plantas Raras do Brasil". A obra faz um alerta: das 2.291 espécies catalogadas, 50% delas estão em áreas degradadas.

A ocupação desordenada, a exploração predatória de recursos da natureza e a poluição são alguns dos problemas que ameaçam esse rico patrimônio vegetal. De acordo com a publicação, entre as 752 áreas de relevância biológica para a conservação da flora nacional, Minas Gerais concentra o maior número de plantas raras do país, com 550 espécies. Logo atrás, aparecem os estados da Bahia (484), Rio de Janeiro (250), Goiás, incluindo o Distrito Federal (202), Amazonas (164), Espírito Santo (135) e São Paulo (123).

O ecólogo e diretor executivo da Conservação Internacional, Fábio Scarano, explica que apesar dessas regiões apresentarem paisagens características bem distintas umas das outras, compartilham condições que podem favorecer à biodiversidade com elevadas taxas de endemismos pontuais. "Todas são áreas tropicais com alta incidência luminosa e sem restrições hídricas severas, próximas a importantes centros urbanos".

Conforme a publicação, essa ordem de representatividade reflete a grande quantidade de endemismos pontuais nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço (MG e BA) e na Chapada dos Veadeiros (GO). Uma grande concentração também foi notada nas florestas úmidas da Mata Atlântica, desde o Sul da Bahia até o Paraná, e da Amazônia Central.

Plantas raras

Segundo Scarano, as plantas consideradas raras são as que possuem distribuição menor que 10 mil quilômetros quadrados. Tal definição, contudo, motivou várias discussões entre acadêmicos contrários à publicação, uma vez que consideravam desnecessárias a necessidade de enumerar espécies distribuídas em áreas tão pequenas, considerando a necessidade de preservação de toda a flora brasileira.

"Ter distribuição geográfica pequena não é sinônimo de extinção, mas as espécies com distribuição restrita têm muito mais possibilidades de serem extintas por um evento catastrófico ou pela ocupação humana desordenada do que espécies amplamente distribuídas. Se protegermos as áreas onde essas espécies ocorrem, estaremos protegendo também outras espécies de distribuição mais extensa", justifica Scarano.

* Com informações do Estado de Minas