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Nascentes em BH pedem socorro

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O geógrafo Miguel Fernandes Felippe mapeou 79 cursos d´água em três parques municipais de Belo Horizonte e descobriu que, em seis deles, a poluição é preocupante. A conclusão é fruto da dissertação de mestrado do geógrafo finalizada em novembro, cujo objetivo foi conhecer a diversidade das nascentes de três parques da cidade: o das Mangabeiras, no bairro de mesmo nome, na região Centro-Sul; Lagoa do Nado, no Bairro Itapoá, na região da Pampulha; e Primeiro de Maio, na região Norte.

Em entrevista ao jornal "Estado de Minas" desta terça-feira ele revelou que, dos três, o Parque da Lagoa do Nado concentra as nascentes mais mal conservadas da cidade. "Vimos que há lançamento de esgoto, lixo, entulhos e vegetação devastada ao redor delas, o que compromete a qualidade dos cursos d’água", disse ele.

Ontem, no Dia Mundial da Água, o geógrafo reuniu ambientalistas e técnicos ambientais para apresentar os resultados de sua pesquisa e escolheu o Lagoa do Nado, onde os problemas estão mais visíveis e preocupantes para o anúncio. Durante 40 minutos, de acordo com o jornal, o grupo percorreu algumas das nascentes da unidade de conservação e, pelo caminho, pôde constatar a realidade indicada na pesquisa: garrafas, preservativos usados e copos descartáveis.

A boa notícia

Quando iniciou sua dissertação de mestrado, Miguel Fernandes acreditava que iria encontrar, se tivesse sorte, cerca de 40 nascentes. Para sua surpresa, foram 78 cursos d’água. "Esperava encontrar cerca de 40, mas achamos praticamente o dobro. O mais interessante é que em cada descoberta, constatamos que cada nascente tem um volume específico de água e um tipo de vegetação no seu entorno. E essa diversidade é excelente. Só no Parque das Mangabeiras há 59 nascentes, oito no Primeiro de Maio, e 12 na Lagoa do Nado", contou ele.

O Geógrafo afirmou ao jornal que uma das soluções para preservar as nascentes é aplicar a metodologia usada em sua pesquisa como rotina nos parques. Durante o verão e o inverno, o estudo monitorou características das nascentes em 11 critérios. "Com a lista em mãos, fui a cada uma das nascentes e pontuei cada uma das classificações, como odor, vegetação saudável e outros. É simples e, se aplicado uma vez ao mês, apontará caminhos para os gestores dos parques. Conseguimos propor uma classificação que pode ser usada em outros locais, utilizando esses parques como piloto".

De acordo com administrador do Parque da Lagoa do Nado, Antônio Paixão, o parque acatará o conselho do pesquisador. "Acredito que vamos mudar essa realidade, a partir desse monitoramento contínuo", diz, revelando que para que o trabalho seja efetivo, a ideia será chamar líderes comunitários para participar da ação.

*Com informações do jornal "Estado de Minas"