Jequitibás: os gigantes das florestas brasileiras

Jequitibá-rosa tem copa é ampla e globosa, em forma de guarda-chuva. Crédito: Tatiana Horta

Jequitibás pertencem à família Lecythidaceae, que abrange 20 gêneros e mais de 200 espécies.

O Brasil é o país com a maior diversidade de árvores do mundo, com mais de 8,7 mil variedades, cerca de 14% das espécies existente no planeta. Os jequitibás estão entre as árvores mais conhecidas e antigas do país, com exemplares que datam milhares de anos. Com até 40 metros de altura e quatro de diâmetro, eles são considerados os gigantes das florestas brasileiras.

Os jequitibás pertencem à família Lecythidaceae, que abrange 20 gêneros e mais de 200 espécies. Nativa do Brasil, a árvore ocorre na maior parte do território nacional e possui ampla ocorrência na América do Sul. De várias cores e tipos, cada espécie apresenta uma coloração, flor, tipo de madeira e características únicas. Conheça algumas das variedades encontradas no Brasil:

Jequitibá-rosa

O imponente jequitibá-rosa (Cariniana legalis) pode viver centenas de anos. Um exemplar localizado no Parque Estadual do Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro (SP), possui cerca de 3 mil anos, sendo a árvore mais velha do Brasil. Especialistas estimam que, sozinho, o jequitibá tenha sequestrado mais de 132 toneladas de CO2 ao longo de sua existência.

A árvore pode ser encontrada nos estados de Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e Rio de Janeiro. Em cada lugar, recebe um nome diferente: jequitibá-vermelho, jequitibá-cedro, jequitibá-de-agulheiro, estopa, pau-caixão, pau-carga, congolo-de-porco etc.

Sua copa é ampla e globosa, em forma de guarda-chuva. Tem folhagem densa e brilhante, com ramos horizontais, suportando muitas orquídeas e bromélias. Os frutos e as sementes servem de alimento para vários animais, como os macacos-prego, os principais dispersores das sementes do jequitibá-rosa.

A espécie está em vias de extinção, por seu reduzido número de exemplares em ocorrência natural, devido ao extrativismo predatório e à degradação da Mata Atlântica, seu bioma de origem.

Jequitibá-branco

O nome científico do jequitibá-branco é Cariniana estrellensis. Popularmente, é conhecido como jequitibá-rei, estopeira, pau-estopa, cachimbeiro, pau-de-cachimbo, coatinga, bingueiro, mussambê, entre outros nomes.

A árvore é comum em planícies e ao longo de rios, geralmente em solos úmidos e profundos. No Brasil, pode ser encontrada no Acre, Bahia, Espirito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. A principal diferença entre os jequitibás brancos e rosas é o tamanho superior das folhas e frutos.

Normalmente, floresce entre janeiro e fevereiro. A planta possui diversas utilidades. O extrato retirado da casca tem propriedades medicinais e a madeira é utilizada em obras internas e na produção de móveis. Além disso, a árvore pode ser usada no reflorestamento de regiões degradadas.

Jequitibá-açu

Raro, acredita-se que o jequitibá-açu (Cariniana ianeirensis) tenha sofrido uma redução populacional de 50% nos últimos 200 anos devido à exploração madeireira. Nos municípios de Jussari, na Bahia, e Itaocara, no Rio de Janeiro, já foi perdida 98% da cobertura original da Mata Atlântica, bioma em que a espécie ocorre.

Assim como as outras espécies do gênero, o jequitibá-açu cresce lentamente, com tempo de geração de 70 anos. Distribui-se pela Bolívia e Brasil, ocorrendo na Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Se difere das outras espécies de jequitibá pelas flores maiores e o pecíolo não alado.

 

Fontes:

CNCFlora. Cariniana ianeirensis in Lista Vermelha da flora brasileira versão

2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora.

CARVALHO, P. E. R. Jequitibá-branco. Colombo: Embrapa Florestas, 2003. 13 p. (Embrapa Florestas. Circular Técnica, 73)

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