Cervo-do-pantanal é o maior cervídeo da América Latina

Cervo-do-pantanal/ Crédito: Ian Loyd/Flickr

Devido à perda de habitat e caça, animal está extinto em 60% de seu território

Considerado o maior cervídeo da América Latina, o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) habita a várzea. Típico das planícies inundadas, o animal pode ser encontrado em pântanos, brejos e zonas ribeirinhas. Originalmente distribuía-se pelos cinco biomas brasileiros e boa parte da América do Sul, mas a caça furtiva e a perda de habitat fizeram com que a espécie fosse extinta em 60% de seu território.

No Brasil, as populações remanescentes do mamífero concentram-se nas regiões centro-oeste e sul, sendo classificado como “vulnerável” pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção - 2018. No Paraguai, também está em vias de extinção por restarem poucas populações da espécie. No Peru há apenas um grupo, com menos de 30 indivíduos. Na Argentina, a espécie desapareceu em grande parte de sua ocorrência original, assim como na Bolívia, onde o animal se distribui de forma dispersa e em baixa densidade. No Uruguai, o cervo-do-pantanal está extinto desde 1958.

Por causa de seu couro, o mamífero foi intensamente caçado até a década de 1970, o que reduziu e fragmentou severamente suas populações. Ainda hoje os animais são alvos de caçadores interessados em seus chifres. Entretanto, a destruição dos ambientes naturais que a espécie vive é atualmente sua maior ameaça. O avanço das fronteiras agrícolas e a expansão urbana destroem seu habitat, mas a construção de usinas hidrelétricas tem sido a principal causa do desaparecimento do cervídeo, sobretudo no Brasil.

As barragens são extremamente prejudiciais à espécie, visto que inundam e eliminam as várzeas, seu principal habitat. Nos últimos 18 anos foi observado declínio de mais de 30% nas populações do cervo. As altas taxas se devem, principalmente, às usinas instaladas na bacia do rio Paraná. A caça ainda frequente nos rios Araguaia, Paraná e Guaporé, bem como as drenagens das várzeas para uso agropecuário – que secam e destroem o ambiente – também colaboram com as extinções.

Características

Curiosamente, estes cervos evitam áreas com profundidades superiores a 70 centímetros, embora estejam adaptados a zonas inundáveis. De pelo avermelhado, a espécie possui longas pernas e membranas nas patas que facilitam a locomoção em áreas alagadas. Macho e fêmea se diferenciam pelo tamanho: eles são mais altos e mais pesados, alcançando até 130 quilos.

O desenvolvimento dos chifres, exclusivo dos machos, está relacionado à idade e concentração de testosterona, por isso animais mais velhos tendem a ter galhadas maiores. Há poucos estudos sobre os hábitos reprodutivos da espécie, mas estima-se que a cada gestação seja gerado um filhote. Diferentemente de outros cervídeos, os indivíduos nascem sem pintas claras, tendo a pelagem parecida com a dos adultos.

Solitário, o cervo-do-pantanal é normalmente observado sozinho ou em pequenos grupos familiares, constituídos por um adulto e suas crias. Vegetariano, o animal se alimenta de brotos e folhas. Pesquisas indicam que, no Pantanal, foram identificadas mais de 40 espécies vegetais que compõem a dieta do mamífero. A maior parte é aquática ou tolera inundações e solos encharcados.

 

 

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