Bugios são os primatas com maior distribuição dos Neotrópicos

Bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans)/Crédito: Miguel Rangel Jr/Flickr

Das 14 espécies do grupo existentes, dez ocorrem no Brasil

Os bugios, conhecidos popularmente como guaribas, barbudos e roncadores são primatas da família Alouatta que possuem a maior distribuição geográfica da região neotropical, ocorrendo desde o México até a Argentina. Uma característica marcante do grupo é a cor intensa da pelagem, que varia entre o marrom e o ruivo.

Para pesquisadores, o motivo de eles apresentarem cores tão fortes está em uma secreção que expelem, com pigmentos derivados da hemoglobina. Segundo a professora e fundadora do Projeto Bugios, Zelinda Hirano, esses macacos liberam uma secreção vermelha e, conforme vão se coçando, ela espalha e se adere ao pelo, mudando sua cor. No verão, o líquido escorre pelo corpo dos bugios, dando a impressão de que “transpiram vermelho”, explicou Zelinda.

Identificá-los também exige atenção à sua vocalização. Para se comunicar com os outros indivíduos e até demarcar território, os bugios emitem um som alto, que parece mais um ronco. A voz potente, que pode ser ouvida até cinco quilômetros de distância, ressoa com facilidade devido a uma protuberância que possuem na região do pescoço, maior nos machos. A anatomia de sua mandíbula também colabora para a vocalização grave.

Das 14 espécies de bugio existentes, dez ocorrem no Brasil. Elas vivem em zonas próximas a grandes rios (Amazonas, Tapajós, Madeira, Paraná e Negro) ou ao longo de cadeias montanhosas, como a Serra do Espinhaço, que formam grandes barreiras geográficas entre os grupos.

A presença desses obstáculos foi o principal agente de diferenciação entre as populações, caracterizando-as como espécies diferentes. Aliadas às mudanças do clima, as dispersões configuram grande pressão evolutiva sobre as espécies, visto que elas precisam se adaptar constantemente aos habitats.

Hábitos e características

Os bugios têm em comum uma série de atributos, com destaque para a cauda preênsil com palma - capaz de suportar o peso do próprio corpo - e a dentição adaptada para dietas ricas em vegetais. Comem principalmente frutos e folhas, incluindo também flores, caules, cascas e líquens em sua alimentação.

Acredita-se que a dieta pobre em energia motivou esses animais a criarem mecanismos de economia de energia, como permanecer longos períodos descansando, raramente realizar movimentos bruscos e preferir posturas corporais que conservam melhor o calor.

Ameaças

Entre as espécies da família Alouatta existentes no Brasil, o bugio-marrom (Alouatta guariba guariba) é um dos mais ameaçados. A severa fragmentação de seu habitat fez com que fosse classificado com “criticamente em perigo” pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018.

Estima-se que a população do animal – restrita ao sul da Bahia, nordeste de Minas Gerais e norte do Espírito Santo – não ultrapasse 50 indivíduos maduros. Assentamentos rurais, agricultura, pecuária, predação por espécies exóticas, desmatamento, destruição dos ambientes naturais e caça são o que colocam o animal, endêmico do Brasil, em grande perigo.

O guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta discolor), gorgó ou guariba-de-mãos-vermelhas (Alouatta belzebul) e bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans) estão classificados como “vulneráveis”. Já o guariba-da-caatinga (Alouatta ululata) é tido como “em perigo”.

 

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