Mordida da formiga-drácula pode chegar a 320 km/h

Formiga drácula (Mystrium camillae)/Crédito: Adrian Smith (BBC)

O movimento é considerado um dos mais rápidos do reino animal

Felinos são lembrados pela rapidez com que se deslocam, mas são os artrópodes quem realizam os movimentos mais ágeis dentre os animais. A formiga-drácula (Mystrium camillae), por exemplo, têm impressionado cientistas com a potência de suas mandíbulas, capazes de atingir 320 quilômetros por hora durante uma mordida. A ação, considerada a mais veloz do reino animal, é 5 mil vezes mais rápida que um piscar de olhos.

Restritas à África tropical, Austrália e sudeste da Ásia, as minúsculas criaturas usam suas presas para predar outros artrópodes na serapilheira e, também, para se defender de possíveis ameaças. Elas pressionam as pontas de suas mandíbulas para construir a energia potencial, que é liberada quando uma garra desliza através da outra. O ato, semelhante a um estalar de dedos, atinge sua velocidade máxima em apenas 0,000015 segundos.

Foi em um estudo publicado na revista Royal Society Open Science, em dezembro de 2018, que pesquisadores revelaram as habilidades da espécie. De acordo com os cientistas, o inseto é capaz de atordoar e esmagar presas com apenas um golpe. Após o ataque, os animais abatidos são levados para o ninho, onde servem de alimento para as larvas.

A característica é comum nas demais formigas do gênero Mystrium que, além do bote certeiro, têm em comum o hábito de sugar o fluido corporal das larvas, por isso são chamadas de ‘dráculas’. Elas se alimentam e se reproduzem em locais de difícil acesso, passando a maior parte do tempo enterradas em troncos de árvores ou escondidas debaixo da terra.

De acordo com a pesquisa, o diferencial destas formigas está em sua evolução e adaptação ao ambiente em que vivem. Os hábitos de forrageamento e nidificação restritos a túneis e troncos podem ter favorecido seu sistema de amplificação, onde a formiga não pode abrir amplamente suas mandíbulas, como visto nas formigas-armadilhas, que em grande parte se alimentam em espaços abertos, na superfície.

Ao compará-las com outros artrópodes, os especialistas perceberam que pequenas mudanças no formato das mandíbulas conferiram às presas da formiga-drácula capacidade de funcionar como uma mola. "Mesmo entre formigas que amplificam o alcance de suas mandíbulas, as dráculas são únicas: em vez de usar três partes diferentes para a mola, o trinco e o braço da alavanca, todas essas três partes são combinadas na estrutura da mandíbula", explicou Adrian Smith, pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte e da Universidade Estadual da Carolina do Norte e coautor do estudo.

 

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