Opinião

O que seria do Brasil sem o mar?

*Frederico Brandini

Eu vou começar essa minha narrativa fazendo uma pergunta: por que nós brasileiros sofremos de um autismo coletivo generalizado sobre a importância dos oceanos no nosso cotidiano, na nossa história, na nossa cultura, na nossa socioeconomia, na nossa geopolítica? Acho que a resposta é muito simples: tem tudo a ver com educação.

O nosso ensino fundamental negligencia muito informações e temas em geral sobre os oceanos nos currículos didáticos das escolas públicas e privadas. Eu viajei e morei em alguns países do Hemisfério Norte e tive oportunidade de ver muitas vezes grupos de crianças e estudantes ao longo da orla marítima sendo acompanhados por monitores com uma cestinha coletando organismos marinhos na maré baixa e fazendo perguntas do tipo “por que o mar é salgado?”, “Por que o mar sobe e desce todos os dias?” Isso foi extremamente importante para forjar essa mentalidade marítima que o povo daqueles países precisam. Eu raras vezes vi isso no Brasil. Não lembro de ter visto nos livros didáticos das escolas que frequentei textos sobre os ambientes marinhos.

O Ministério da Marinha teve que criar o termo “Amazônia Azul” para nosso oceano, como um apelo à sociedade brasileira para valorizar nosso mar. Isso porque a lua dos principais movimentos ambientalistas brasileiros são, sem dúvida, em defesa dos biomas terrestres, sobretudo a Floresta Amazônica, que está em foco atualmente devido às queimadas naturais e ilegais. Mas vale lembrar que o conjunto dos nosso biomas é que o que define nossa biodiversidade e estabelece trajetórias importantes na nossa cultura, história e sócio economia. E os oceanos representam ⅓ do território nacional.

Outra pergunta que eu gostaria de deixar no ar para vocês durante a minha narrativa: pensem como seria o Brasil se nós não fossemos um país costeiro. Se nós não tivéssemos o mar certamente a nossa história seria completamente diferente. Talvez nem teríamos sido descobertos pelos portugueses. Nossa cultura seria totalmente diferente. Provavelmente não haveria os romances de Jorge Amado, nem as canções de Dorival Caymmi e provavelmente não haveria nem Bossa Nova e nem Garota de Ipanema. Esses são alguns poucos itens da nossa cultura diretamente inspirados pela presença do oceano. Além de forjar a história e a cultura de países costeiros, o mar oferece inúmeras vantagens econômicas e geopolíticas. Do ponto de vista econômico, o mar oferece rotas comerciais, pesca e turismo costeiro que no Brasil representa pelo menos cerca de sete por cento do PIB e muito mais do que isto em vários países.

Na geopolítica, o mar tem sido motivo de disputas importantes e para citar apenas alguns exemplos na América do Sul, vejam o caso da Bolívia que recentemente perdeu junto ao Tribunal Internacional de Haia a disputa com o Chile a mais de um século o acesso ao Oceano Pacífico para poder usufruir dos benefícios marinhos. Mais para o sul o Canal de Beagle disputado entre chilenos e argentinos por décadas e também, as Ilhas Malvinas que detonou uma guerra entre Argentina e Inglaterra no início da década de 1980. Nesse caso o interesse não é nas Ilhas Malvinas propriamente dito, mas no mar da sua zona econômica exclusiva, que é uma das regiões mais ricas em recursos pesqueiros do planeta, além do que evidentemente a Inglaterra usa as Malvinas como um ponto geopolítico importante para a sua presença hegemônica no Atlântico Sul.

Há algumas décadas os economistas atribuíram valor econômico a processos ecológicos e seu papel na produção agrícola (p.ex.). É o que se conhece hoje como bens e serviços ecossistêmicos. A ideia começou nos campos agrícolas. Sabe-se as florestas adjacentes são fundamentais na produção de culturas domesticadas. Isso porque essas culturas precisam ser polinizadas por animais. Durante milhões de anos estabeleceu-se esse vínculo, essa intimidade reprodutiva entre insetos e pássaros que buscam néctar e pólens nas flores dessas culturas para o seu sustento. É muito importante saber que essas culturas necessitam dessas florestas. Daí surgiu a ideia de como valorizar a natureza, e agregar valor aos produtos em função dos serviços ecossistêmicos florestais.

O mar oferece bens e serviços semelhantes, mas em escalas regionais e sazonais muito variáveis. Eu gostaria de destacar aqui dois tipos de bens e serviços ecossistêmicos marinhos. O primeiro, e que já foi mencionado aqui pelos meus antecessores, é o da escala da história natural da Terra. O nosso planeta tem 4,6 bilhões de anos e durante aproximadamente 1 bilhão de anos não havia oxigênio na atmosfera ou dissolvido na água do mar primitivo. Era um planeta anóxico. Todos os átomos de oxigênio estavam nas moléculas de água e nas ronchas carbonáticas. A vida começou nos oceanos com formas simples de vida anaeróbica. A vida surgiu nos oceanos. Se houvesse vida como a de hoje naquela época, sem oxigênio, qualquer coisa que ousasse “pôr o dedo” (desculpem a força de expressão) fora dos oceanos, era fritada imediatamente pelo excesso de radiação ultravioleta. O calor era insuportável porque havia muito CO2 na atmosfera. Um efeito estufa extremo. Até que cerca de 3,6 bilhões de anos atrás, surgiu em uma bactéria marinha uma molécula capaz de usar a energia solar. Surgiram as cianobactérias que existem até hoje, capazes de produzir seu sustento através da fotossíntese. A fotossíntese primeva sugou muito CO2 atmosférico, e com isso o efeito estufa decresceu reduzindo a temperatura mais ou menos aos níveis de hoje. Além disso também se produziu muito oxigênio que após se dissolver nas águas dos oceanos foi sucessivamente transferido para a atmosfera formando inclusive a camada de ozônio, que amenizou a intensidade da radiação ultravioleta. Esse foi um grande legado que o oceano deixou para a evolução da vida terrestre e, evidentemente, é por isso nós estamos aqui hoje. Que preço tem isso? Faz algum sentido avaliar esse serviço global?

Água doce á outro recurso imensurável oriundo dos oceanos em benefício da vida terrestre. O ciclo hidrológico foi primeiramente idealizado por Aristóteles. Ele observava os rios desembocando nos mares ao redor da Grécia, cujo nível da água nunca subia além da maré alta. E deduziu que havia um balanço equilibrado entre evaporação e precipitação. O ciclo hidrológico é fundamental e começa nos oceanos. A evaporação forma reservatórios subterrâneos, rios, lagos e geleiras. E sem água doce é impossível a vida terrestre, ou seja, mais uma contribuição dos oceanos na manutenção da vida terrestre.

A produção do oxigênio, como já mencionaram aqui, é outro recurso que os oceanos desempenham papel essencial. Metade de todo o oxigênio que vocês vão respirar por toda a sua vida é produzida pelos oceanos. Ao contrário do que se pensa, a Amazônia não é o pulmão do mundo. Ela contribui com 1-2% dos reservatórios dinâmicos do ciclo do oxigênio. Tudo o que ela produz de oxigênio pela fotossíntese das árvores é consumido pela respiração animal.

Equilíbrio térmico, oxigênio e água são serviços globais para a humanidade e para a vida em geral impossível de se avaliar. Existem outros serviços na escala regional, pelos quais os países costeiros disputam incessantemente. São bens e serviços ecossistêmicos divididos em três categorias: recursos-vivos, recursos não-vivos e recursos não-extrativos.

Quando se pensa em recursos-vivos, a primeira coisa que se vêm em mente é a pesca. A pesca existe há milênios. Comunidades costeiras sempre extraíram alimentos dos oceanos. Hoje em dia, além da pesca, a biotecnologia tornou-se um recurso vivo estratégico do ponto de vista sócio econômico. Uma das mais antigas biotecnologias marinhas comercializada pelas primeiras civilizações da Europa Oriental foi a produção da “púrpura” pelos Fenícios. Trata-se de um corante vermelho extraído de glândulas de molusco do gênero Murex, oriundo do Mar Mediterrâneo. A púrpura era usada para tingir tecidos com um tom vermelho-violeta. Os mantos dos generais romanos eram tingidos com púrpura. Aristóteles calculou que uma grama de púrpura valia uma grama de ouro. Eram necessárias cerca de mil desses organismos marinhos para tingir apenas um manto. Essa foi uma das principais indústrias biotecnológicas da época. Com a queda do Império Romano, os Cardeais da Igreja Católica em Roma continuaram a usar os seus mantos tingidos por púrpura.

Em relação aos recursos não-vivos, eu destaco dois tipos: os recursos minerais e os recursos energéticos. Recursos minerais são conhecidos de todos vocês: a areia da construção civil, o calcário para a fertilização agrícola são apenas alguns exemplos. Atualmente há uma disputa internacional pela exploração mineral de fundos abissais repletos de nódulos metálicos ricos em manganês, ferro, níquel e terras raras, muitas delas usadas em tecnologias digitais. Essas televisões que tem esse colorido de extremo contraste vêm de alguns desses minerais raros em jazidas terrestres e 90% dessas reservas estão na China, com previsão de se esgotar em algumas décadas. Nos fundos oceânicos das bacias do Índico, Pacífico e Atlântico encontram-se reservas abundantes desses minerais. O Brasil recentemente solicitou às Nações Unidas um território submerso da Elevação do Rio Grande, a 600 milhas da costa sul brasileira, e está incorporando uma área promissora na exploração desse segmento.

Outro tipo de recurso não-vivo são os recursos energéticos, que atualmente ainda é baseada na extração do petróleo e gás. O problema é que esses são combustíveis fósseis condenados a acabar e criando todos os problemas ambientais que vocês já conhecem. A emissão de gases oriundos da queima dos combustíveis fósseis intensifica o efeito estufa, acidifica os oceanos e consome oxigênio. No entanto, o mar oferece alternativas para a matriz energética global do futuro. Vários países já estão lançando mão de energias alternativas, tais como energia das ondas, energias de maré, energia de gradientes de salinidade e temperatura. Já existem programas experimentais sobre a extração de energia elétrica a partir do fluxo de água provocado por pressões osmóticas em regiões estuarinas. O mesmo é possível com gradientes térmicos. A primeira usina de produção de energia elétrica por gradiente térmico – vocês sabem que nas regiões equatoriais o mar é bem quente e a cerca de 100 metros de profundidade, ele é bem frio – foi feita pelos franceses em 1934 ao largo de Cuba. Com o bombeamento de água profunda mais fria e água de superfície mais quente e a diferença de temperatura entre as duas massas de água, é possível expandir e contrair um gás amônia e gerar energia elétrica. A segunda experiência também feita pelos franceses foi no mar ao largo de Recife em 1937. Eles conseguiram fazer um navio ficar iluminado durante três meses gerando energia elétrica pelos gradientes térmicos. Infelizmente, essa cultura de energias renováveis desapareceu na época porque petróleo e gás já dominavam a matriz energética mundial. Aliás petróleo, é controvertido do ponto de vista ambiental. Tem os seus problemas de poluição, sem dúvida nenhuma. Mas lembrem-se que até meados do século XIX toda a Europa era iluminada com óleo de baleia. A caça de baleias era uma atividade comercial extremamente lucrativa e se não tivessem descoberto o petróleo provavelmente hoje não haveria mais baleias.

O terceiro recurso que eu gostaria de chamar atenção são os recursos não-extrativos. Por exemplo, o transporte marítimo. 98% do PIB nacional depende do escoamento dos nossas commodities pelos oceanos.

Outro recurso não-extrativo é a beleza cênica da região costeira: O Brasil tem aproximadamente 8.500 quilômetros de costa. Nós temos basicamente todos os principais ecossistemas costeiros que vocês encontram no mundo. Temos praias arenosas, aliás a maior praia do mundo (Praia do Cassino, com cerca de 200 quilômetros), temos inúmeras lagoas costeiras, como a Lagoa Rodrigo de Freitas aqui no Rio e as famosas lagoas aqui do norte fluminense. Temos a maior lagoa do mundo, a Lagoa dos Patos. Temos costões rochosos com suas comunidades epilíticas específicas, ilhas costeiras e oceânicas, estuários importantes, como o do Rio Amazonas, o maior estuário do mundo que deságua 200 mil metros cúbicos de água doce por segundo no Oceano Atlântico. E ocupando essa geodiversidade costeira, temos biomas importantíssimas do ponto de vista ecológico e socioeconômico tais como manguezais e recifes calcários, a maioria deles formados por algas calcárias. São poucas as espécies de corais que temos aqui, mas algumas delas são importantíssimas porque só existem aqui no Brasil. E tudo isso é extremamente importante para o turismo costeiro. O Brasil não é abundante em recursos pesqueiros porque está do lado errado da Bacia do Atlântico, onde não ocorrem ressurgências em massa como nas costas da África, onde ventos associados ao movimento de rotação da Terra afastam as águas superficiais para longe da costa dando espaço para a entrada de águas frias e ricas em nutrientes de camadas profundas. Do lado de cá os ventos empiçham águas quentes e pobres em nutrientes. Ressurgências só em Cabo Frio e em alguns pontos restritos da costa sudeste. Mas qual recurso marinho vale mais: cardumes de sardinha ou a beleza cênica costeira que agrega valor ao turismo.

A colonização do Brasil pelos portugueses iniciou-se pela zona costeira e hoje somos aproximadamente 70 milhões de brasileiros que habitam a zona costeira que é uma zona de conflitos socioambientais e econômicos. Várias atividades colaboram para o impacto ambiental costeiro no Brasil tais como a exploração petrolífera, logística portuária, agricultura, indústrias que se instalaram na costa, maricultura, extração mineral, extração vegetal, pecuária, pesca, reflorestamento, salinas, recreação turística e urbanização. O impacto desses conflitos são parcialmente aliviados com espaços de conservação tais como as áreas marinhas protegidas.

Mas eu tenho algumas ressalvas em relação à eficácia das nossas áreas marinhas protegidas. Eu acho que elas são necessárias, sem dúvida, porque são importantes para preservar a biodiversidade marinha. No entanto, eu gostaria de lembrá-los que o mar tem uma conectividade enorme através das correntes marinhas que transportam todo o tipo de contaminação sólida e líquida dissolvida tornando as áreas protegidas tão vulneráveis a contaminantes como qualquer região ao longo da costa, incluindo as ilhas oceânicas que não escapam dessa contaminação

Não se iludam: não existem mais áreas pristinas nos oceanos. Traços de DDT usado na década de 50 nos EUA podem ser detectados em peixes na Antártica. Todo o atum pescado no Oceano Pacífico tem traços de mercúrio. Atualmente a sociedade global mais se preocupa com a poluição sólida dos plásticos. Claro que plástico é um problema seríssimo, que afeta o topo da cadeia alimentar. Os animais marinhos são atraídos pelo cheiro impregnado nos substratos plásticos. Quando chegam ao mar transportado pelo esgoto urbano, pedaços de plástico representam um novo substrato que é imediatamente colonizado por um filme microbiano. Evidentemente, tartarugas que se alimentam de medusas, sentem o odor de compostos marinhos no plástico e os confundem com sua dieta preferida. Vocês sabem que a visão é um sentido extremamente limitado nos oceanos. Nós precisamos de instrumentos com sensores específicos para poder estudar e entender como os oceanos funcionam. Além do som que se propaga com eficiência no meio líquido, e serve como forma de comunicação entre mamíferos marinhos, o mundo dos oceanos também é percebido pelos animais através do olfato. Se você jogar um pedaço de plástico na cara de uma tartaruga ela não vai abocanha-lo imediatamente. O plástico precisa se impregnar com o odor dos compostos marinhos para então ser confundido com alimento por peixes, répteis, mamíferos e aves marinhas. O fato é que tem muito mais plástico no leito submarino do que boiando na superfície. Um dos relatórios do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas constatou que existe em média cerca de 100 mil peças de plástico por milha quadrada no leito dos oceanos.

Pior do que o plástico sólido, que afeta o topo da teia alimentar, é o plástico que se degrada pelos raios ultravioletas e pelas intempéries do mar, transformando-se em moléculas de polímeros não degradáveis e que contaminam (pra sempre) a base da teia alimentar e todos os níveis tróficos superiores. É como um vírus para o qual não existe solução. Hoje em dia, sabe-se que o nano plástico é um problema gravíssimo e encontra-se em carnes de peixes de valor comercial. Ou seja, nós também estamos comendo pedaços microscópicos de plástico o que é grave do ponto de vista sanitário.

Um outro problema gravíssimo, também oriundo dessa ingratidão da sociedade global em contaste com a generosidade do mar, são os poluentes orgânicos persistentes oriundos das indústrias médica- farmacêutica e cosmética. Por exemplo, a zona costeira mundial está contaminada por anti-inflamatórios (p.ex., Cataflan), anticoncepcionais e antidepressivos. Sem contar a cafeína e a cocaína que se concentram na zona costeira adjacente a grandes centros urbanos. Também são problemas sérios difíceis de serem solucionados.

Falamos muito de aquecimento global e esquecemos da salinização costeira. Quando as populações crescem, necessitam reter água doce para obras públicas e abastecimento da população. Menos água doce nos oceanos significa mais água salgada na costa. Um mar mais salgado torna-se mais denso e com isso as correntes de maré atuam com maior força de arrasto e capacidade de erosão costeira. Como por exemplo as barragens do Rio São Francisco que reduzem o volume de água doce na zona costeira e retém sedimentos, causando sérios problemas ambientais e alteração da biodiversidade com a salinização e déficit de areia provocando perda de habitats.

Eu também gostaria de mencionar rapidamente o que eu considero crimes hediondos contra os oceanos. Por exemplo, a matança de um milhão de tubarões por ano para retirar as barbatanas dorsais e peitorais usadas na culinária de alguns países asiáticos. Matar filhotes de foca do Ártico com porrada na cabeça para atender a demanda estúpida da sua linda pele branca pela alta costura (a meu ver fora de moda), e a pesca sem manejo da pesca comercial que arrasta indiscriminadamente o leito oceânico em busca de camarão e peixes nobres sem se preocupar com o descarte. Não sei se vocês sabem que o Maracanã tem cerca de 300 e poucos metros de extensão por 200 m e pouco metros de largura, e uma altura aproximada de 35 metros. Eu mesmo fiz os cálculos e estimei 2 milhões e 700 mil metros cúbicos o volume do Maracanã. Vejam que um metro cúbico de peixe é mais ou menos uma tonelada. Isso significa que no Maracanã cabem dois milhões e setecentas mil toneladas de peixes. Nós retiramos do mar pela pesca industrial cerca de 100 milhões de toneladas de peixe por ano. O esforço de pesca aumenta cada vez mais para atender essa demanda. Isso representa “44 Maracanãs” cheios de peixes até o topo. A estupidez da pesca em algumas regiões das ilhas do Pacífico e mesmo aqui no Brasil chega ao extremo de usar bombas com graves problemas ambientais e sociais. E o que nós devolvemos? Como eu disse, devolvemos ao mar toda a porcaria que a sociedade humana produz na forma de contaminantes sólidos e líquidos.

Para finalizar, eu diria que se nós queremos continuar a usufruir dessa generosidade oceânica, vamos pelo menos tentar acertar os ponteiros da sustentabilidade ambiental e da responsabilidade social. Isso pode ser feito de duas formas: melhorando o currículo didático do ensino fundamental. Nós precisamos implantar na mente das crianças a importância dos oceanos, educando as gerações futuras. Outra forma é essa que está acontecendo aqui. Eu parabenizo a Fundação O Boticário, os patrocinadores do evento, que teve uma ideia genial de convidar vocês da plateia, muitos dos quais são formadores de opinião e podem ajudar a na construção de uma consciência coletiva do povo brasileiro, pelo menos aqueles que não tiveram oportunidade de estudar no ensino fundamental, sobre a importância de sermos umas nação costeira. Que possam tornar os brasileiros menos omissos em relação aos problemas que o mar está enfrentando atualmente. Obrigado.

*Frederico Brandini é oceanógrafo e líder Avina que participou de várias expedições do Programa Antártico Brasileiro. Trabalhou como Professor do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná

Fonte: O Eco