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Opinião

Florestas brasileiras na COP-21

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*Elizabeth de Carvalhaes

Uma das discussões mais relevantes da COP-21 será a respeito das negociações de crédito de carbono e a mitigação de emissões de CO2.

Nos próximos meses, dois importantes eventos liderados pela ONU debaterão a relação entre clima e sustentabilidade. Em 27 deste mês, em Nova York, chefes de Estado das principais nações do mundo deverão assumir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), elaborados a partir das diretrizes da Rio+20 e que substituirão os Objetivos do Milênio, criados em 2000.

Já em dezembro, em Paris, será a vez da Conferência das Mudanças Climáticas, a COP-21, cuja maior expectativa refere-se à assinatura de um novo acordo climático que substitua, de forma efetiva, o Protocolo de Kyoto a partir de 2020.

O Brasil deve levar importante contribuição à COP-21, com o estabelecimento de compromissos de redução de emissões de gases causadores do aquecimento global.

Na COP-21, entretanto, haverá muitas outras frentes de ação. Uma das mais relevantes para as atividades que se valem de florestas plantadas diz respeito às negociações de crédito de carbono florestal em função das oportunidades de mitigação de emissões de CO2 pelas árvores plantadas e de preservação das matas nativas a elas associadas.

Sabe-se que as florestas desempenham um papel importante sobre o clima, uma vez que têm alta capacidade de sequestrar carbono, contribuindo para a diminuição do aquecimento global. O plantio de florestas, a adoção de processos de gestão mais eficazes e amplos, a recuperação de áreas degradadas e a preservação de matas nativas também atuam para reduzir a concentração de CO2 na atmosfera.

É reconhecido que árvores jovens são mais eficientes do que as adultas no sequestro de carbono -além do que utilizam para se alimentar, elas permitem a fixação do carbono na madeira-, incentivar o plantio de florestas e atividades que precisem dessa matéria-prima é atuar em benefício do planeta.

Nos plantios destinados à produção e nas áreas de conservação, a formação e a manutenção de estoques de carbono resultam em remoções dos gases de efeito estufa com a consequente redução de sua concentração na atmosfera e durante todo o tempo em que o estoque for mantido. Em 2014, os 7,7 milhões de hectares de áreas de plantios florestais no Brasil foram responsáveis pelo estoque de cerca de 1,7 bilhão de toneladas de CO2, o que equivale a um ano das emissões nacionais.

Além da manutenção ou aumento dos estoques de carbono, cada produto originário de árvores plantadas pode evitar ou reduzir emissões associadas ao uso de produtos oriundos de matérias-primas fósseis ou não renováveis.

O potencial de mitigação do setor está relacionado à superação dos principais entraves ao seu desenvolvimento no Brasil, como a elevada carga tributária de investimentos, gargalos de infraestrutura e logística e questões trabalhistas. Além de questões estruturais, os principais desafios à expansão do setor estão vinculados à base plantada.

O aprofundamento de mecanismos existentes e o desenvolvimento de novas alternativas, que valorizem economicamente os benefícios climáticos gerados pelo setor, representam sinergias positivas de grande valor para o desenvolvimento sustentável brasileiro

*Elizabeth de Carvalhaes é presidente-executiva da Ibá – Indústria Brasileira de Árvores e presidente do ICFPA – International Council of Forest and Paper Associations

Fonte: Folha de S. Paulo