ProAcessso já previa fechamento da Estrada do Salão Dourado
José Carlos Carvalho

É inadmissível permitir o uso irrestrito da estrada do Salão Dourado, localizada no Parque Estadual do Rio Doce (Perd), como um atalho rodoviário, em virtude do longo trecho localizado na zona de maior riqueza em biodiversidade do Parque Estadual do Rio Doce.
Durante a implantação do programa rodoviário denominado ProAcesso, nos governos Aécio Neves e Antônio Anastasia, foi feita a ligação de Pingo D’Água ao Vale do Aço por via pavimentada, por meio da interligação das rodovias LMG-759, MG-329 e BR-458, atendendo também o município de Córrego Novo e o distrito de Revés do Belém, em Bom Jesus do Galho.
À época, deliberadamente, a chamada estrada do Salão Dourado não foi incluída no ProAcesso, permanecendo como via de transporte local controlada, como já ocorria.
Importa destacar que, no âmbito do denominado Acordo de Mariana, referente à tragédia do rompimento da Barragem de Fundão, o Parque Estadual do Rio Doce foi contemplado com recursos da ordem de cem milhões de reais para o projeto de consolidação da unidade de conservação. Nesse projeto, estão previstos recursos específicos para a desapropriação de terreno na margem direita do Rio Doce, destinados à construção de guaritas com tecnologias de última geração para o uso controlado da estrada.
Esses recursos já foram transferidos ao Governo de Minas há mais de quatro anos, sem que as providências previstas tenham sido adotadas.
Dessa forma, não se deve permitir a reforma da Ponte Queimada sem que, antes, o Estado, por meio do Instituto Estadual de Florestas (IEF), cumpra as obrigações previstas no Programa de Consolidação do Parque, conciliando a necessidade de transporte de pessoas com a conservação da biodiversidade do último grande remanescente da Mata Atlântica da bacia do Rio Doce, em Minas Gerais.
*José Carlos Carvalho é Engenheiro florestal, ex-ministro do meio ambiente e ex-secretário de meio ambiente de Minas.