Vídeo de deputada sobre reconstrução da Ponte Queimada gera questionamentos ambientais
Vídeo não menciona proibição de tráfego e condicionantes ambientais impostas à obra
21 de janeiro de 2026
Reabertura da ponte aumenta o risco de atropelamento de fauna no Perd. Registro do atropelamento da Jaguatirica foi realizado pela superintendente da Amda, Dalce Ricas, quando a ponte operava com funcionamento restrito.
A Deputada Federal Rosângela Reis publicou em seu Instagram um vídeo gravado na Ponte Queimada, no qual anuncia a reconstrução da estrutura com recursos de emenda parlamentar de sua autoria. A parlamentar afirma ainda que, nos “próximos meses”, a ponte será entregue à comunidade e a define como “símbolo de resistência e proteção do Parque do Rio Doce”.
A ponte dá acesso à Estrada do Salão Dourado, que atravessa a Mata dos Campolinas, relíquia histórica, científica e ambiental, única floresta primária do parque. Embora tenha valor histórico, a estrutura foi construída pela Acesita, hoje Aperam, para o transporte de carvão produzido a partir da Mata Atlântica que existia no Vale do Aço. Sua inexistência antes da criação do parque está devidamente documentada em registros oficiais.
A Prefeitura de Marliéria iniciou a reconstrução da ponte ignorando recomendação do Ministério Público (MP) Estadual, que apontava a necessidade de adoção prévia de diversas medidas. O MP obteve liminar suspendendo a obra, que foi retomada após a assinatura de Acordo Judicial com a prefeitura e o Instituto Estadual de Florestas (IEF/MG), responsável pela gestão e proteção do parque.
O Acordo Judicial e a recomendação do MP deixam claro que a estrada não será aberta ao tráfego, uma vez que diversos estudos apontam graves danos ao parque, especialmente à fauna. A “entrega à comunidade”, anunciada pela parlamentar, não explicita a proibição do tráfego de veículos, o que pode gerar expectativas quanto ao uso da via. Cabe ressaltar que os moradores dos municípios citados dispõem da estrada que passa por Revés de Belém, cujo tempo de deslocamento é menor do que pela Ponte Queimada.
Na publicação, a deputada Rosângela Reis afirma ainda que a ponte é “símbolo de resistência e proteção do Parque do Rio Doce”, definição considerada pouco compreensível. A estrutura poderá ser utilizada para pesquisas, turismo controlado, educação ambiental, deslocamento de brigadistas e ações de fiscalização, conforme previsto no Plano de Manejo do parque, mas não como símbolo de proteção. Pelo contrário, no período em que esteve em funcionamento, a ponte causou impactos significativos à fauna, ao facilitar a entrada de caçadores, além de gerar poluição por poeira e gases veiculares, ruído, incêndios, descarte de lixo, atropelamento e captura de animais silvestres.