Vida Selvagem Revelada: projeto independente monitora fauna na zona rural de Além Paraíba (MG)
Iniciativa “Entre Rastros” registra espécies ameaçadas e reforça a importância da preservação ambiental
24 de fevereiro de 2026
Uma iniciativa independente de monitoramento da fauna silvestre na zona rural de Além Paraíba (MG) tem revelado que o cotidiano da vida selvagem acontece no silêncio da mata, onde os olhos humanos muitas vezes não alcançam.
O projeto Entre Rastros, idealizado pelo morador da região Matheus Galo, teve início em 2025 e funciona de forma ininterrupta desde então. O primeiro registro da iniciativa foi o de uma paca, captado no dia 3 de janeiro daquele ano. Desde então, as armadilhas fotográficas instaladas estrategicamente na mata já registraram cenas impressionantes, como um gavião-carijó (Rupornis magnirostris) predando uma cobra-cipó e um tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) passeando com seu filhote.
O objetivo do projeto é demonstrar que a biodiversidade persiste mesmo em áreas próximas à ocupação humana, além de destacar a importância das áreas de preservação para a manutenção da vida silvestre. Matheus, que concilia as atividades da iniciativa com o trabalho em um supermercado, é responsável pela instalação, manutenção e análise das câmeras espalhadas pela região.
Entre os registros que se tornaram destaque estão o flagrante do tamanduá-mirim com o filhote e a presença de grandes predadores, como a onça-parda (Puma concolor), além de outros felinos silvestres, como a jaguatirica (Leopardus pardalis) e o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus). Para o idealizador, essas imagens reforçam a importância da conservação dessas áreas, fundamentais para a sobrevivência das espécies que dependem exclusivamente delas.
Para proteger os animais de possíveis caçadores e garantir a segurança dos equipamentos, o projeto não divulga a localização exata das armadilhas. Atualmente, a iniciativa conta com dois equipamentos que monitoram propriedades rurais parceiras e recebe apoio do projeto Aventura Animal.
Entre as metas para este ano estão a ampliação do número de câmeras e da área monitorada, com o objetivo de compreender melhor os hábitos e a circulação das espécies na região. Matheus destaca que revelar a vida selvagem que acontece nas florestas é uma forma de gerar consciência e incentivar o cuidado com o meio ambiente. Ele reforça que a população pode contribuir valorizando áreas naturais e denunciando iniciativas que provoquem degradação ambiental, já que as imagens comprovam que a vida pulsa dentro da mata.