Ponte Queimada é alvo de mais um incêndio e prefeituras insistem em abrir tráfego na estrada do Salão Dourado
A Ponte, sobre o rio Doce, liga estrada que atravessa o Parque Estadual do Rio Doce.
16 de junho de 2025
Mais um incêndio criminoso foi registrado na Ponte Queimada, entre os municípios de Pingo D’água e Marliéria, na última quarta-feira (11). Em ofício ao Delegado de Polícia Civil, Gilmaro Alves Ferreira, a Amda cobrou investigação sobre o caso.
“Acreditamos que o incêndio, claramente criminoso, tem como motivação acirrar ânimos entre instituições que discutem sobre normas para utilização da estrada do Salão Dourado, que atravessa a Mata dos Campolinas, área primária do Parque Estadual do Rio Doce. Relíquia ambiental e científica, que sobrou da derrubada da exuberante Mata Atlântica que cobria a região do Vale do Aço”, destacou a entidade no documento.
Embora o caminho pela ponte, que dá acesso à estrada do Salão Dourado, seja mais curto que o contorno pela Região Metropolitana do Vale do Aço, o trajeto é não pavimentado, acidentado e mais demorado. Seu uso perdeu força em 1979, quando fortes chuvas danificaram a ponte. No início dos anos 2000, a pavimentação da LMG-759, ligando Córrego Novo à BR-458, diminuiu ainda mais a pressão sobre a estrada do Salão Dourado.
Em nota técnica, a Amda e a Fundação Relictos, membros do conselho consultivo do Perd, citaram pesquisas realizadas nas últimas décadas, que mostram os benefícios ambientais decorrentes do desuso da estrada, e propuseram que o Instituto Estadual de Florestas (IEF) apresente projeto detalhado com cronograma, origem dos recursos, normas de uso e operação da portaria a ser construída na Ponte Queimada para controlar o tráfego permitido pelo Plano de Manejo do Perd. Propuseram também que sua reforma não seja liberada até que isto seja feito.
O Plano de Manejo do parque classifica a estrada como parte da “Zona de Uso Moderado”, onde só são permitidas atividades como pesquisa, educação ambiental, visitação controlada, fiscalização e tráfego das brigadas de combate a incêndios. Mesmo assim, prefeitos de cidades próximas, insistem na reabertura da estrada, mesmo não estando previsto no Plano de Manejo.
A pesquisadora Elisângela Maria Barbosa Santos alertou, em tese apresentada na UFMG, que a escolha política pela reabertura da estrada configura grave ameaça ao Perd. Segundo ela, os impactos da estrada vêm desde sua abertura, tendo facilitado exploração de carvão, caça, pesca e retirada ilegal de madeira. Os incêndios também se agravaram com a existência da via.