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Pesquisa evidencia riscos da exploração de quartzito na Serra do Espinhaço

Impactos da mineração podem afetar patrimônio natural em Minas Gerais

Pesquisa evidencia riscos da exploração de quartzito na Serra do Espinhaço

Foram divulgados os primeiros resultados da pesquisa de doutorado do pesquisador Frank Alison de Carvalho, técnico em Hidrologia no Centro de Estudos em Geociências do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da UFVJM, em Diamantina. O estudo evidencia riscos da exploração de quartzito na Serra do Espinhaço, principal cadeia montanhosa de Minas Gerais e área de relevante patrimônio ambiental.

Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal (PPGCF) da universidade, a pesquisa foi orientada pelo professor Israel Marinho, especialista em recuperação de áreas degradadas e campos rupestres. O trabalho apresenta possibilidades de convivência com a atividade mineradora — permitida por legislação e considerada inevitável em determinadas regiões — propondo intervenções em áreas menos visíveis e metodologias de redução de impacto do início ao fim do processo exploratório. O pesquisador também destaca a necessidade de ação conjunta com mineradores, responsáveis pelo licenciamento ambiental e pela recuperação das áreas degradadas.

Entre as medidas apontadas para minimizar os impactos estão a realização de estudos ambientais mais criteriosos e específicos por área, além da avaliação integrada dos empreendimentos minerários da região, considerando o acúmulo de efeitos de frentes de exploração próximas. O estudo também reforça a importância do Plano de Fechamento de Mina (PAFEM), que deve ser estruturado desde o início do empreendimento, com planejamento de longo prazo e fiscalização contínua.

Segundo o pesquisador, um dos principais impactos está no baixo aproveitamento do material extraído: apenas cerca de 25% do quartzito é utilizado, enquanto o restante forma pilhas de rejeitos esbranquiçados visíveis a até 10 quilômetros de distância, gerando forte impacto visual na paisagem. Como alternativa, o estudo propõe metodologias de recuperação ambiental adaptadas à realidade local, incluindo técnicas para recomposição de fachadas verticais degradadas com simulação da coloração natural do ambiente, evitando soluções artificiais e o uso de espécies exóticas.

Atualmente, o pesquisador desenvolve uma metodologia voltada à recuperação dessas fachadas no Laboratório de Biocombustíveis da UFVJM, sob coordenação da professora Lilian Pantoja, utilizando microrganismos de áreas de exploração para criação de materiais aplicáveis à recuperação por fio diamantado. Devido ao caráter inovador da proposta, detalhes técnicos ainda não foram divulgados.

A pesquisa também ressalta a importância de maior acompanhamento do poder público sobre a atividade mineradora e sobre a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), apontada como instrumento capaz de reduzir a dependência econômica regional da mineração e contribuir para o desenvolvimento com menor impacto ambiental.

*Com informações do portal de notìcias UFJJM