Pequenos animais são principais vítimas de incêndios florestais
Répteis lideram o ranking de mortalidade.

Um estudo publicado na revista Science of the Total Environment revela que pequenos animais são principais vítimas de incêndios florestais no Brasil. Entre os mais vulneráveis estão répteis, seguidos por mamíferos, anfíbios e aves com menos de 1kg. A constatação contraria a ideia de que animais pequenos são mais rápidos e, por isso, conseguem fugir facilmente do fogo.
O banco de dados usado na pesquisa reúne imagens de animais mortos e feridos, entre 1998 e 2024, durante incêndios florestais em território nacional. O levantamento é uma parceria entre o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação dos Mamíferos Carnívoros (CENAP) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Ao todo, os pesquisadores analisaram 2.850 registros, incluindo bancos de dados científicos e reportagens jornalísticas. Essa é a primeira vez que esse tipo de abordagem é usada para documentar o impacto do fogo sobre a fauna do país.
Pantanal concentra maioria dos casos
O Pantanal, que teve cerca de 2,6 milhões de hectares afetados pelo fogo em 2024, concentrou mais de 65% dos registros de animais queimados. Em seguida, Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Caatinga aparecem com números relevantes de ocorrências. O único bioma sem registros é o Pampa.
Quase metade dos registros foram feitos em áreas protegidas, como unidades de conservação, terras indígenas e propriedades privadas com proteção legal.
Répteis e anfíbios são os mais atingidos
Répteis e anfíbios concentram 67,5% dos registros, com destaque para serpentes (859), lagartos (558), tartarugas (58), jacarés (82) e sapos (223). Entre os mamíferos, roedores e animais como antas, queixadas e veados foram os mais afetados.
De acordo com os autores, a menor mobilidade dos vertebrados pequenos é um dos fatores que contribuem para a alta taxa de mortalidade. Em muitos casos, esses animais não conseguem fugir ou encontrar abrigo a tempo durante as queimadas, em razão disso são mais vulneráveis.
A pesquisa também aponta que animais com pelo curto, escamas ou pele lisa não são necessariamente menos vulneráveis, como se acreditava anteriormente.
Banco de dados espera mais contribuições
Segundo Christian Berlinck, analista ambiental e um dos autores do artigo, além de identificar os grupos mais afetados, o objetivo do estudo é entender como o fogo influencia as funções ecológicas desempenhadas por essas espécies.
“Ao mesmo tempo, essas análises podem orientar ações de prevenção e restauração ambiental mais eficientes”, afirma.
O banco de dados da pesquisa segue em constante atualização. Os pesquisadores pedem a colaboração de profissionais e cidadãos. Portanto, qualquer pessoa que tenha registros de animais vivos ou mortos em áreas atingidas pelo fogo pode ajudar o projeto. A próxima etapa da pesquisa pretende investigar os efeitos indiretos dos incêndios.