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Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, vítima de seis incêndios em 2025

O fogo é intencional, para descaracterizar a unidade de conservação.

Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, vítima de seis incêndios em 2025
Crédito: Divulgação/Amda

Após seis incêndios atingirem o Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, no Norte de Minas Gerais, a Amda encaminhou ofício ao diretor-geral do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Breno Lasmar, com cópia à Polícia Militar Ambiental, cobrando investigação sobre o caso.

O último incêndio, ocorrido no dia 21 de agosto passado, foi controlado depois de três dias de combate com atuação conjunta das brigadas da Amda, equipes do IEF, Corpo de Bombeiros e apoio de empresas vizinhas. Esse foi o sexto registro de fogo desde o início da estação seca.

Há fortes indícios de que os incêndios sejam provocados intencionalmente para descaracterizar a vegetação nativa e favorecer ocupações irregulares. O fogo foi ateado em vários pontos de estrada vicinal. “Mesmo que seja difícil identificar os responsáveis, a simples presença de policiais pode servir de intimidação aos incendiários”, aponta o documento.

No ofício, a Amda alerta que a continuidade dos incêndios poderá aumentar em muito os danos sobre a fauna e flora do parque e que o avanço da seca e elevação da temperatura, acarretará novos incêndios em outras unidades de conservação da região, dificultando o combate pelo aumento da demanda sobre as brigadas.

O parque

Criado em 1998, o Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, com cerca de 20.000 ha, está localizado no município de Matias Cardoso, na bacia do rio São Francisco. Ele integra o Sistema de Áreas Protegidas (SAP) do Projeto Jaíba, cuja criação resultou da atuação da Amda, após concessão de liminar devido a falhas no processo de licenciamento da Etapa 2 do Projeto.

Situado em trecho de várzea do Rio São Francisco, no extremo norte de Minas, protege importante conjunto de lagoas marginais, além de variados tipos de vegetação nativa. As lagoas marginais são consideradas berçários de uma infinidade de peixes típico da bacia sanfranciscana, além de protegerem extensa lista da rica fauna regional, como tamanduá-bandeira, tatu-canastra e diversas aves aquáticas.

A drenagem de centenas de lagoas de várzea do Velho Chico, em grande parte devido ao projeto do governo denominado “Pró Várzeas” para abrir mais espaço para atividades agropecuárias, foi uma das principais causas da enorme redução de peixes do rio. As lagoas eram consideradas “berçário” de sua reprodução. O parque protege algumas que restaram.