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Onça-pintada enfrenta declínio fora da Amazônia e acumula ameaças em biomas brasileiros

Onça-pintada enfrenta declínio fora da Amazônia e acumula ameaças em biomas brasileiros

A onça-pintada, maior felino das Américas e um dos principais símbolos da fauna brasileira, vem sofrendo redução significativa de sua população em diversas regiões do país, especialmente fora da Amazônia. O avanço do desmatamento, impulsionado pela expansão de atividades econômicas, tem provocado perda de habitat e intensificado conflitos entre o animal e seres humanos.

A espécie enfrenta um conjunto de ameaças que afetam tanto o número de indivíduos quanto a integridade de seu território. Biomas como a Mata Atlântica, o Cerrado e o Pantanal já perderam grande parte de sua vegetação nativa devido à agricultura intensiva e à pecuária extensiva. A redução das áreas naturais compromete espaços fundamentais para a caça, reprodução e deslocamento.

Além da perda de cobertura vegetal, a fragmentação do habitat causada pela construção de estradas, cercas e outras infraestruturas isola populações e aumenta os riscos de atropelamento. Com menos presas silvestres disponíveis, a onça-pintada passa a se aproximar de áreas rurais em busca de alimento, o que eleva os conflitos com produtores.

A predação de rebanhos representa prejuízo econômico para pecuaristas e, em muitos casos, resulta em retaliação. O abate intencional da espécie ocorre em diferentes regiões do Brasil, seja por caça direta, armadilhas ou envenenamento. Muitas vezes, o animal é morto mesmo sem ter causado danos, mas por representar um risco potencial. A caça ilegal também impacta a espécie de forma indireta, ao reduzir populações de suas presas naturais.

Outro fator preocupante são os atropelamentos em rodovias que cruzam áreas de ocorrência da espécie. A ausência de sinalização adequada e de passagens de fauna contribui para registros frequentes de mortes, inclusive em trechos que atravessam o Cerrado, a Mata Atlântica e o entorno do Pantanal. Um exemplo é o caso da onça-parda atropelada na BR-135, em Januária, no Norte de Minas Gerais, que morreu em decorrência dos graves ferimentos causados pela colisão. 

Para enfrentar esse cenário, especialistas defendem a criação e ampliação de unidades de conservação em áreas contínuas de habitat, além de investimentos em monitoramento por meio de colares com GPS, armadilhas fotográficas e análises genéticas. Iniciativas de educação ambiental e programas de diálogo com comunidades rurais também são apontados como fundamentais para reduzir conflitos, promover alternativas econômicas e fortalecer a preservação da espécie.

*Com informações do portal de notícias Estado de Minas.