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Nascimento de filhote de bicudo representa avanço histórico na conservação da espécie criticamente ameaçada

Filhote nasce em reserva após sete anos de trabalho do Projeto para recuperar a espécie

Nascimento de filhote de bicudo representa avanço histórico na conservação da espécie criticamente ameaçada

O registro do primeiro filhote de bicudo em vida livre foi motivo de comemoração para o projeto dedicado à conservação da espécie. O fato inédito ocorreu no dia 20 de fevereiro, na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro, mantida pela Usina Coruripe no município de Januária, no Norte de Minas Gerais.

O Projeto Bicudo, iniciativa que atua na conservação da espécie desde 2018, relata que o nascimento ocorreu após a recente reintrodução de um casal que deixou dois ovos no ninho. O pássaro (Sporophila maximiliani), conhecido pelo canto melódico, sofreu um grande declínio populacional provocado pela perda de habitat e pela captura ilegal. Esses fatores resultaram em uma população estimada em menos de 100 indivíduos maduros em vida livre no Brasil. O nascimento representa, portanto, a retomada do ciclo reprodutivo natural da espécie em seu ambiente.

Segundo o biólogo Gustavo Malacco, um dos coordenadores do projeto, o nascimento apresentou uma singularidade: após o desaparecimento do macho, a fêmea permaneceu sozinha cuidando do filhote. Para o especialista, a atuação da fêmea como “mãe solo” demonstra a capacidade de adaptação da natureza em processos de recuperação populacional.

Malacco também ressalta que o resultado representa um marco histórico para o projeto, que atravessou sete anos de tentativas e aprendizados até alcançar esse momento. Segundo ele, o objetivo de longo prazo é estabelecer novas populações da espécie em vida livre a partir desses descendentes — um trabalho que exige tempo e acompanhamento constante.

A equipe do Projeto Bicudo afirma que o filhote segue sob monitoramento diário, sendo alimentado exclusivamente pela mãe, enquanto o segundo ovo permanece em acompanhamento. O projeto integra o programa de Parcerias Sustentáveis e mobiliza 15 profissionais dedicados à conservação do bicudo, reunindo instituições como a Usina Coruripe, a Ariramba, a Fundação Grupo Boticário, o Ministério Público de Minas Gerais e diversas universidades.

Apesar dos desafios para a sobrevivência da espécie — especialmente do filhote recém-nascido — associados ao risco de predação natural, eventos climáticos extremos e à própria taxa de mortalidade juvenil, a equipe prioriza a manutenção do habitat e o monitoramento técnico contínuo para ampliar as chances de sobrevivência e consolidar uma população estável em vida livre.