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MPF cobra medidas ambientais em obra da Ponte do Futuro, na Paraíba

Órgão aponta riscos à fauna e questiona ausência de passagens ecológicas durante avanço das obras

MPF cobra medidas ambientais em obra da Ponte do Futuro, na Paraíba

O Ministério Público Federal (MPF) discute os impactos ambientais da construção da Ponte do Futuro, empreendimento rodoviário sobre o estuário do Rio Paraíba. Em reunião realizada no dia 14 deste mês, foram destacadas preocupações com a proteção da fauna silvestre e a manutenção da conectividade entre fragmentos florestais na área afetada.

O encontro foi motivado por questionamentos técnicos sobre o avanço das obras sem a implementação prévia de medidas preventivas para garantir a sobrevivência de espécies ameaçadas de extinção. O projeto, que busca melhorar a mobilidade entre o litoral norte da Paraíba e a Região Metropolitana de João Pessoa, segue sem a instalação de corredores ecológicos e passagens de fauna, ponto central das críticas do MPF.

Além disso, a supressão vegetal e a intensa movimentação de máquinas já expõem os animais a riscos imediatos, como atropelamentos e morte. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as vias em construção também vêm sendo utilizadas indevidamente pela população, ampliando o risco de acidentes.

Durante a reunião, foram apontadas divergências sobre modelos, localização e prazos das passagens de fauna. Representantes da obra afirmaram que estruturas terrestres dependem de etapas como aterro e compactação do solo. Já o ICMBio destacou que passagens aéreas deveriam ter sido instaladas antes da supressão vegetal, para garantir o deslocamento seguro de espécies como o macaco-prego-galego (Sapajus flavius), ameaçado de extinção.

O órgão também questionou a adoção de modelos experimentais sem embasamento científico e apontou falhas na análise de alternativas locacionais. Além disso, reforçou a necessidade de avançar na criação de uma unidade de conservação como medida compensatória pelos impactos ao corredor ecológico Gargaú–Utinga.

Participaram da reunião representantes do MPF, ICMBio, órgãos estaduais, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e do consórcio responsável. As partes sinalizaram busca por solução consensual, com envio de projetos e cronogramas ao ICMBio para análise ambiental.Uma nova reunião, realizada em 16 de abril, alinhou prazos, revisou propostas e definiu ajustes nas medidas de mitigação, com o objetivo de garantir a continuidade da obra dentro da legislação ambiental e reduzir riscos à biodiversidade.

*Com informações do portal de notícias do MPF.