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Minas em Chamas: focos de incêndio se alastram por unidades de conservação do estado

Minas em Chamas: focos de incêndio se alastram por unidades de conservação do estado

Serra da Calçada, entre Brumadinho e Nova Lima, arde em duas frentes desde terça-feira (30) | 📷 Arquivo Amda


Outubro começa com cenário de alerta em Minas Gerais. O tempo seco e altas temperaturas, favorecem os incêndios florestais, degradando severamente ambientes naturais, causando danos econômicos e à saúde pública.

De acordo com dados de monitoramento da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), diversas áreas estão em situação de emergência, com ocorrências de fogo registradas em 11 áreas legalmente protegidas e em ambientes naturais remanescentes, nos últimos dois dias.

Focos de Incêndio na capital e Interior

•             Na RMBH: a Serra da Calçada, entre Brumadinho e Nova Lima, arde em duas frentes desde terça-feira (30). A área, de difícil acesso, exige esforço redobrado das equipes da Brigada Carcará, Amda e Corpo de Bombeiros, que enfrentam calor intenso e risco de reignição das chamas. Os parques estaduais da Baleia, em Belo Horizonte, da Serra do Rola-Moça, que abrange os municípios de Belo Horizonte, Brumadinho, Ibirité e Nova Lima, também concentram ocorrências, além do Refúgio de Vida Silvestre Macaúbas, entre Santa Luzia e Lagoa Santa.

•             No Vale do Rio Doce: o Parque Estadual do Rio Doce (PERD), o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica de Minas Gerais legalmente protegido enfrenta dois incêndios.

•             No Norte de Minas: a situação também é crítica. A APA Rio Pandeiros é a mais atingida, com cinco registros em Bonito de Minas e Januária. Há também ocorrências na APA Serra do Sabonetal, nos municípios de Jaíba e Itacarambi, no Parque Estadual Verde Grande, na APA Cochá e Gibão em Bonito de Minas, e na RDS Veredas do Acari, em Chapada Gaúcha. O Parque Estadual Serra do Cabral, em Buenópolis, também tem registro de incêndio.

“Grande parte dos incêndios é intencional, usados para “limpar terreno” e forçar rebrota de capim para gado ou forçar mudança de uso do solo. Inúmeros focos começam na beira de rodovias, ateados por incendiários ou na queima descontrolada de folhas”, relata Francisco Mourão, coordenador operacional de Brigadas da Amda

Prevenção e Impactos

Para a superintendente executiva da Amda, Maria Dalce Ricas, embora a estrutura de combate tenha melhorado muito, o Estado não tem política de prevenção contra incêndios. “A prevenção deveria envolver órgãos estaduais como Emater, IMA, DEER, secretarias de educação, agricultura e comunicação, e também federais. Além disso, a insuficiência de investigação e punição dos responsáveis, contribui diretamente para escalada do problema” analisa.

A Amda alerta para o impacto do fogo contra a fauna. O período crítico de incêndios coincide com a época de procriação de inúmeras espécies, principalmente aves. Milhares de filhotes são queimados nos ninhos. Além dos impactos sobre a fauna, solo, água, emissão de monóxido de carbono, fumaça e fuligem causam e agravam doenças respiratórias, sobrecarregando hospitais.