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Gestor ambiental afirma que florestas de MG “não estão sendo protegidas” pela política de Zema

Descuido com a política ambiental no estado mineiro escancara consequências da crise climática

Gestor ambiental afirma que florestas de MG “não estão sendo protegidas” pela política de Zema

O diretor de políticas ambientais do Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente (Sindsema), Francisco de Assis da Silva Jr., afirmou em entrevista ao Portal Brasil de Fato que as florestas de Minas Gerais “não estão sendo protegidas” pela política ambiental adotada pelo governo de Romeu Zema. Segundo ele, apesar da redução pontual nos índices de incêndios e desmatamento em 2025, o estado segue entre os que apresentam os piores indicadores ambientais do país e enfrenta fragilidades estruturais que agravam a crise climática.

Dados apresentados por Assis indicam que Minas Gerais registrou queda do desmatamento de 10.030 para 7.451 ha, entre 2023 e 2024. Em 2025, houve redução de aproximadamente 29% de incêndios em áreas de vegetação em comparação ao ano anterior. Ainda assim, o estado permanece entre os líderes em desmatamento e queimadas, ocupando a nona posição entre os que mais desmatam os biomas Mata Atlântica e Cerrado, com números superiores à média histórica.

As críticas são consideradas pertinentes pela Amda. “As informações dadas pelo governo são confusas. A redução dos incêndios deve-se também à mobilização da sociedade civil. Mas se houve redução, ótimo! Mas o desmantelamento do Sisema, flexibilização das normas, facilitação crescente para desmatamentos, são sintomas que apontam para agravamento da situação ambiental no Estado”, diz Dalce Ricas 

Para Francisco de Assis, o recorde de desmatamento registrado em 2024 e a recorrência desses índices levantam a hipótese de estratégia de redução da vegetação nativa para facilitar  controle territorial, prática já observada em outros estados.

Apesar da redução nos índices de desmatamento, o gestor ambiental avalia que o cenário ambiental de Minas está longe de ser positivo. Segundo ele, é necessário analisar o histórico completo de degradação ambiental e considerar uma média ponderada dos dados. O diretor também criticou mudanças aprovadas pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), que ampliaram para até mil hectares a supressão de vegetação sem necessidade de licenciamento ambiental ou estudos técnicos prévios realizados por equipes multidisciplinares. Para ele, essas medidas ameaçam áreas de conservação e favorecem práticas como grilagem de terras e expansão do latifúndio.

Por fim, Assis alertou para a falta de servidores efetivos na área ambiental, sem novos concursos há 11 anos, e criticou a autorização de desmatamentos por servidores contratados indicados politicamente, sem autonomia técnica para barrar irregularidades. Afirmou ainda que “o governo disse que as normas envolvidas seriam revistas, mas até hoje nada mudou.”. Também reforçou que as irregularidades no licenciamento ambiental resultam de indicações políticas, e não da atuação dos servidores efetivos.

*Com informações do portal de notícias Brasil de fato