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Fotógrafo da natureza flagra muriqui na estrada do Salão Dourado

A estrada atravessa o Parque Estadual do Rio Doce.

Fotógrafo da natureza flagra muriqui na estrada do Salão Dourado
Foto: João Sérgio Barros

A foto, de João Sérgio Barros, foi feita na Estrada do Salão Dourado, que atravessa o Parque Estadual do Rio Doce na Mata dos Campolina, raríssimo fragmento de Mata Atlântica primária no Brasil. “Consegui chegar bem perto dele, que ficou me olhando com curiosidade. Ele estava numa árvore na margem da estrada”, diz.

A Amda, Associação Relictos, pesquisadores, fotógrafos da natureza, lutam contra reabertura da estrada, devido aos danos assustadores que o tráfego pode causar à fauna silvestre que mora no parque.
Existem duas espécies de muriqui, ambas exclusivas do Brasil: o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) e o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), endêmicas da Mata Atlântica.

O muriqui-do-sul ocorre nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. O muriqui-do-norte em Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo e ambas estão ameaçadas de extinção, devido à caça e desmatamento.

O risco de extinção não impede que o muriqui seja caçado. Em 2021 a Polícia Ambiental de SP prendeu um homem que matou, esquartejou e assou um muriqui do Sul. Porém a esperança de salvar o simpático muriqui é forte. Fabiano Melo, professor da UFV lidera a luta por ele, apoiado por diversas instituições e pessoas, como o empresário Renato Machado, do Ibiti projeto, onde criou o único centro de reprodução da espécie.

Preservar as áreas de Mata Atlântica é fundamental para salvar o muriqui. Lamentavelmente isto não faz parte das preocupações dos deputados e senadores que aprovaram o PL da devastação. Emenda do deputado de MG Zé Vítor, que faz parte do PL, permite derrubar até mata primária.