Estudo realizado em Minas Gerais pode contribuir para a conservação de espécies como bugios-pretos
A pesquisa foi conduzida pelo Cetras de Patos de Minas e integrou um filhote órfão a uma nova família
21 de agosto de 2026
Uma pesquisa realizada no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), em Patos de Minas, mostrou que a adoção de um filhote órfão de bugio-preto (Alouatta caraya) por um casal adulto pode auxiliar na manutenção da espécie. O estudo foi conduzido pela bióloga Izabela de Lima Costa e pela doutora Elisa Queiroz Garcia.
As pesquisadoras afirmaram que há poucos registros científicos desse tipo de adoção entre bugios em programas de reabilitação. Antes da introdução do filhote, o casal foi acompanhado durante 24 horas por meio de câmeras trap, equipamentos fotográficos acionados por movimento.
Logo após, o filhote passou a conviver gradualmente com os adultos até a permanência definitiva. Nos primeiros dias, houve disputa por espaço, comportamento já esperado pelas pesquisadoras. Com o passar dos dias, os animais passaram a apresentar cuidados semelhantes aos de uma família. De acordo com Izabela, o casal passou a aceitar o filhote e demonstrou comportamentos compatíveis com uma estrutura familiar natural.
Ela ainda destacou que foram registrados os primeiros contatos de aproximação, o contato corporal e os cuidados parentais que surgiram de forma natural ao longo do processo. Para a pesquisadora, acompanhar esse comportamento foi um dos aspectos mais marcantes do estudo. Após o período de reabilitação, o casal e o filhote foram soltos juntos, formando um grupo social estável.
A bióloga destaca que os bugios vivem em grupos e aprendem habilidades essenciais para a sobrevivência, como encontrar alimentos, reconhecer perigos e se comunicar. Entretanto, filhotes criados isoladamente podem não desenvolver esses hábitos, reduzindo a expectativa de vida após a soltura.
Para ela, o estudo mostra que a conservação vai além de simplesmente resgatar um animal. “Cada indivíduo possui necessidades comportamentais e sociais que precisam ser consideradas para que haja condições reais de retornar à natureza”, afirmou.
Por fim, a bióloga ressalta que a pesquisa pode aumentar as chances de reintrodução de filhotes órfãos, desde que haja acompanhamento durante todo o processo. Além disso, o conhecimento obtido poderá servir de referência para protocolos de manejo de outras espécies de primatas atendidas em centros de reabilitação, contribuindo para a conservação da fauna silvestre brasileira.