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Estudo aponta ineficácia de placas de sinalização de fauna na redução de acidentes

Pesquisa na BR-262 reforça necessidade de medidas estruturais

Estudo aponta ineficácia de placas de sinalização de fauna na redução de acidentes
créditos: giro de gravatai

Estudo inédito publicado no Journal of Environmental Management avaliou a eficiência das placas informativas de travessia de fauna em trechos críticos da BR-262, no Mato Grosso do Sul, e concluiu que a sinalização apresenta impacto limitado na redução de acidentes envolvendo animais silvestres. A pesquisa foi conduzida por especialistas do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de instituições internacionais.

Com duração de 18 dias, o estudo realizou mais de 5,3 mil medições de velocidade de veículos em diferentes horários. Foram avaliadas placas educativas, de controle e mensagens diretas de alerta, como “reduza a velocidade” e “animais na estrada”, que apresentaram efeito mínimo e restrito a poucos metros após a sinalização.

Segundo a pesquisadora Mariana Catapani, em alguns casos os condutores chegaram a aumentar a velocidade após passar pelas placas, indicando que praticamente não há melhora na capacidade de reação diante da presença de animais na rodovia.

A BR-262, que liga Campo Grande ao Pantanal, tornou-se “corredor da morte” para milhares de animais. Os de maior porte, como tamanduá-bandeira, anta, capivara, onças, jacaré, são simplesmente afastados para a margem da rodovia. Muitos agonizam horas ou dias, Os pequenos nem são vistos pois são esmagados ou devorados por carnívoros, o que aumenta o número de atropelamentos, pois ficam expostos enquanto comem. 

“Difícil entender a indiferença do poder público e da sociedade frente ao morticínio  nas rodovias. O DNIT age como se não tivesse nada com isso, o Ibama e o ICMBio se calam ou falam e não são ouvidos pelo governo. A mensagem parece ser: “bichos não valem  nada para nós humanos. Podem morrer. Não têm sentimentos, nem sentem dor”, ironiza Dalce Ricas, superintendente da Amda. 

Os resultados do estudo reforçam o já sabido: implantação de estrutura, como cercas direcionadoras, passagens de fauna, redutores de velocidade  capazes de obrigar redução de velocidade, radares, fiscalização, campanhas educativas permanentes e atendimento médico aos animais que ainda sofrerem atropelamento. Segundo a matéria publicada no portal Campo Grande News, há  plano de mitigação promovido pelo DNIT, estimado em R$30 milhões, iniciado em 2025, com previsão de conclusão em 730 dias, que prevê implantação de 170 quilômetros de cercas condutoras de fauna, passagens inferiores e superiores e sinalização específica ao longo da rodovia. Mas não há informação quanto à redutores de velocidade, medida indispensável para reduzir atropelamentos. 

Com informações do portal Campo Grande News.