Estradas ilegais avançam sobre áreas protegidas na Amazônia e ampliam a pressão pelo desmatamento
Avanço de vias ilegais na Amazônia expõe fragilidade de áreas protegidas, realidade também vivida em Minas Gerais
17 de dezembro de 2025
Foto: Felipe Werneck/Ibama
O avanço de estradas clandestinas ao longo da BR-319 está impulsionando a devastação em uma das regiões mais sensíveis da Amazônia. Levantamento do Observatório BR-319 revela que mais de 3,5 mil quilômetros de vias ilegais já cortam unidades de conservação federais e terras indígenas. As estruturas clandestinas funcionam como corredores que favorecem desmatamento, grilagem, garimpo e conflitos territoriais, transformando áreas antes protegidas em territórios vulneráveis.
Segundo o estudo Abertura de Ramais e Estradas Clandestinas como Vetores de Desmatamento no Interflúvio Madeira-Purus, publicado em agosto, ao menos 2.240 km dessas vias já invadiram unidades de conservação, enquanto 1.297 km cruzam terras indígenas. A presença desses ramais está diretamente relacionada à intensificação da destruição florestal em municípios como Humaitá, onde conflitos socioambientais se tornam cada vez mais frequentes.
O estudo aponta ainda que 4.130 km dos ramais identificados estão sobrepostos a áreas de interesse minerário. Cerca de 80% dessas estradas coincidem com solicitações ativas de mineração, evidenciando a fragilidade da governança e a ausência de controle efetivo do Estado na região. As consequências atingem ao menos 79 povoados indígenas e 42 unidades de conservação ao longo da BR-319.
Situação semelhante ocorre em Minas Gerais
O avanço de ocupações irregulares sobre áreas protegidas não é exclusivo da Amazônia. Em Minas Gerais, unidades de conservação estaduais e federais enfrentam pressões constantes, especialmente da especulação imobiliária, abertura ilegal de estradas, invasões, mineração e loteamentos. Casos recentes envolvendo o Parque Estadual do Rio Doce e o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça mostram que a fragilidade na fiscalização e o descumprimento de planos de manejo são desafios recorrentes. Assim como na Amazônia, a abertura de acessos clandestinos funciona como porta de entrada para desmatamento, caça e ocupações irregulares, colocando em risco estas áreas que deveriam ser protegidas.
Para a Amda, os dados do Observatório BR-319 reforçam que a proteção das unidades de conservação depende de vigilância constante, fiscalização contínua e enfrentamento firme da especulação imobiliária e de atividades predatórias, independentemente da região do país.