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Desmatamento da Mata Atlântica cai, mas Minas segue na liderança

Agropecuária continua sendo o “carro chefe” da destruição

Desmatamento da Mata Atlântica cai, mas Minas segue na liderança

Dados recentes do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD Mata Atlântica) apontam redução da derrubada de Mata Atlântica em cerca de 11 mil hectares no país. Minas e Bahia permanecem liderando o ranking do desmatamento. Minas ocupa o segundo lugar.

Já pelos dados da SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Minas volta a liderar o ranking, com desmatamento de 6,2 mil hectares, puxado pela expansão urbana e agropecuária. A Bahia fica em segundo lugar. Os dados da SAD incluem fragmentos menores, enquanto os da SOS e Inpe são os maiores.

Nem unidades de conservação foram poupadas. Pelos dados da SOS e Inpe, foram derrubados 25,84 hectares dos 86.298 da APA do Alto do Mucuri, e 35 hectares dos 2.408 da Reserva Biológica Serra Azul. A Rebio é uma unidade de conservação de proteção integral. Ambas são estaduais. 

Para a superintendente da Amda, Dalce Ricas, a notícia da queda é muito positiva, mas ainda preocupante. “Considerando que a maior parte do bioma já foi desmatada, a área perdida em 2025 continua sendo muito grande, e o que resta inclui fragmentos isolados, com baixa biodiversidade. A Mata Atlântica produz água para milhões de pessoas. Protegê-la deveria ser política de Estado”, afirma.

Em editorial, o jornal Folha de S.Paulo relembra que, durante os governos de Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, os índices de desmatamento cresceram sob a lógica de desenvolvimento marcada por uma “ideologia anti ambiental prevalente em setores do agronegócio”.

O editorial também destaca que cerca de 96% do desmatamento está ligado ao agronegócio e que o Ibama consegue cobrar apenas 5% das multas aplicadas, o que deixa os desmatadores tranquilos.

Dalce considera que preservar o que restou da Mata Atlântica é uma luta árdua e constante. É comum que a fiscalização pelos Estados não seja efetiva e haja desinteresse pela preservação do bioma. O Ibama conta com recursos insuficientes para manter seu quadro técnico, fiscalizar e cobrar multas. Restrição de crédito para desmatadores, embargo efetivos de áreas desmatadas são medidas com grande potencial de êxito, mas o poder político do agronegócio consegue impedir sua efetiva aplicação.

No dia 12 de maio, o Conselho Monetário Nacional (CMN) adiou para 2027 a aplicação de regra que prevê bloqueio de crédito a fazendas com desmatamento, após pressão de entidades do agronegócio.