Criação de Unidade de Conservação vai proteger importante remanescente da Mata Atlântica em Rio Casca/MG
A iniciativa é fruto de compensação ambiental da EcoRodovias Minas Rio, licenciada pelo Ibama
1 de julho de 2026
A parceria entre a Prefeitura de Rio Casca e a Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (Anamma) resultou na criação do Parque Natural Municipal Dr. João Carlos Bello Lisboa. A iniciativa, oficializada no dia 3 de junho passado, visa proteger importante remanescente de Mata Atlântica, com aproximadamente mil hectares, viabilizada por meio da compensação ambiental da EcoRodovias Minas Rio, licenciada pelo Ibama.
A última Unidade de Conservação (UC) de proteção integral criada pelo Governo de Minas Gerais foi o Parque Estadual Mata do Krambeck, em Juiz de Fora, com apenas 292 hectares de Mata Atlântica, que aconteceu em outubro de 2022. Para Dalce Ricas, superintendente da Amda, Minas está parado no tempo no que se refere à proteção legal de seus ecossistemas.
Ela considera louvável a iniciativa da Anamma e da Prefeitura de Rio Casca e lembra que a nova UC fica próxima ao Parque Estadual do Rio Doce (Perd), ameaçado de isolamento geográfico. “Sempre temos esperança de que o Perd seja conectado com outros fragmentos do que restou da Mata Atlântica em Minas”, diz.
Segundo Mario Mantovani, geógrafo, ambientalista e diretor de Relações Institucionais da Anama, a compensação pela EcoRodovias prevê a implantação da estrutura administrativa, incluindo plano de manejo, cercamento, sede e programas de educação ambiental.
Ele informa que a proposta nasceu após pesquisadores identificarem a relevância ambiental da área. Como a criação de uma unidade estadual ou federal é um processo complexo, optou-se pela implantação de um parque municipal, com apoio técnico da Anamma. Ele reforça que a área poderá ser ampliada futuramente.
O geógrafo aponta que a área protege um dos principais remanescentes de Mata Atlântica da região, ameaçado de isolamento geográfico, incêndios, caça e erosão. Ele também afirmou que a criação do parque poderá tornar-se estímulo à conexão com outros fragmentos florestais e favorecer o fluxo genético entre as espécies.
A gestão do Parque será feita pela Prefeitura de Rio Casca, com acompanhamento da Anamma e apoio de instituições parceiras. Mário destaca que o sucesso da iniciativa se deve à parceria entre diferentes instituições, à contribuição da população, do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Codema) e apoio do poder público.
Espécies ameaçadas reforçam importância da área
De acordo com Fabiano Melo, Doutor em Ecologia e Professor Titular do departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV), foram registrados na área o sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), classificado como ameaçado de extinção, e o sauá (Callicebus nigrifrons), considerado vulnerável. Também foi identificada a presença do macaco-prego-preto (Sapajus nigritus), cuja situação de conservação ainda será confirmada conforme a atualização da lista nacional de espécies ameaçadas. Segundo o biólogo, a região também possui potencial para abrigar mamíferos como jaguatirica, onça-parda e gato-do-mato, além de aves, répteis e anfíbios, embora esses grupos ainda dependam de levantamentos específicos. Para ele, a proteção do fragmento é estratégica, já que áreas contínuas de Mata Atlântica com cerca de mil hectares são cada vez mais raras e desempenham papel fundamental na conservação da biodiversidade.