Brasil tem mais de 160 mil denúncias por crimes ambientais nos últimos três anos
Levantamento aponta maiores violações ambientais em Minas Gerais, São Paulo , Rio Grande do Sul e Santa Catarina

No último dia 05, o Portal de Consulta de Processos Jurídicos Escavador divulgou levantamento das ações judiciais relacionadas a crimes ambientais no período de 2023 a 2026. A análise incluiu mais de 160 mil denúncias de violações contra fauna, flora e poluição, somadas às ações judiciais em andamento. O montante de novos processos apresentou aumento em 2025, com cerca de 41 mil registros de denúncias de crimes ambientais.
Na divisão por categoria, os processos relacionados à poluição apresentaram o maior crescimento, com cerca de 18 mil ações. Minas Gerais lidera a concentração de registros, com aproximadamente 11 mil ocorrências.
Os crimes contra a flora somaram cerca de 67 mil ações. As principais ocorrências envolveram destruição e degradação ambiental, queimadas e incêndios florestais, desmatamento vinculado à exploração econômica irregular e extração ilegal de madeira.
Nessa categoria, São Paulo liderou o ranking, com cerca de 15,1 mil registros, seguido por Minas Gerais, com 13,9 mil, e Santa Catarina, com 7,9 mil. Em paralelo, os crimes contra a fauna somaram cerca de 55 mil processos, com o estado de São Paulo também liderando o ranking. Minas Gerais ocupa o segundo lugar, com 10,8 mil registros. As ações envolvem caça ilegal, tráfico de animais silvestres, importação irregular de espécies controladas, pesca ilegal, maus-tratos e degradação de ecossistemas aquáticos.
Para a superintendente da Amda, Dalce Ricas, os dados “batem de frente” com pronunciamentos da Semad. “Sabemos que a tarefa não é fácil, mas é ainda mais difícil por não termos política ambiental de Estado, que envolva outras instituições como Emater, IMA, DEER, Ibama. No que se refere ao tráfico, por exemplo, os animais são capturados em áreas rurais, muitas vezes por proprietários ou com sua conivência. Quem mais “convive” com eles, são os dois órgãos citados”, diz.
Ela destaca ainda a importância da educação nas escolas e em campanhas na mídia que informem à população sobre crimes ambientais, e reforço do policiamento. “Novamente citando caça e tráfico: traficantes são criminosos e devem ser tratados como tal. A ação policial é imprescindível, principalmente nas rodovias. Mas não podemos esquecer que o tráfico é alimentado por quem compra”, afirmou.
*Com informações do portal ClimaInfo