Brasil mantém liderança mundial em diversidade de anfíbios, aponta nova atualização científica
País soma 1.251 espécies registradas e segue como principal fronteira para descoberta de novos anfíbios
5 de maio de 2026
Uma atualização recente da lista de anfíbios do Brasil confirmou que o país continua sendo o mais diverso do mundo nesse grupo. O levantamento foi publicado na revista Herpetologia Brasileira, da Sociedade Brasileira de Herpetologia, e reúne dados consolidados por pesquisadores de diferentes instituições nacionais e internacionais.
O estudo, conduzido por Leandro O. Drummond (UENF), Diego J. Santana (Field Museum of Natural History), Albertina P. Lima (INPA) e Luís Felipe Toledo (Unicamp), aponta que o Brasil abriga atualmente 1.251 espécies válidas de anfíbios. Desse total, 1.206 são sapos, rãs e pererecas, 40 são cecílias e cinco são salamandras.
Em relação à última atualização, publicada em 2021, foram adicionados 104 táxons e removidas 41 espécies, resultado de novas descrições, revisões taxonômicas e ajustes baseados exclusivamente em literatura científica revisada por pares. O trabalho reflete décadas de pesquisas acumuladas por herpetólogos e consolida o conhecimento mais recente sobre a diversidade do grupo no país.
Segundo o pesquisador Diego Santana, o número de espécies conhecidas ainda representa apenas parte da biodiversidade real. “O mundo chegou recentemente a cerca de 9.000 espécies de anfíbios descritas, mas estimativas indicam que esse número pode ser muito maior”, afirma.
Além de liderar o ranking global, o Brasil é apontado como um dos países com maior potencial para descoberta de novas espécies, devido à combinação de fatores como extensão territorial, variedade de biomas, incluindo Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, e diversidade de ecossistemas.
Apesar dos avanços, os pesquisadores alertam para um desafio: a escassez de especialistas em taxonomia, área responsável por descrever e classificar as espécies. A falta desses profissionais pode comprometer o registro da biodiversidade antes mesmo que muitas espécies sejam formalmente conhecidas.
Mais do que um inventário científico, a atualização da lista é considerada uma ferramenta estratégica para subsidiar políticas públicas, avaliações de risco de extinção e planejamento ambiental. O levantamento reforça que o conhecimento da biodiversidade é condição essencial para sua conservação.