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Espécie exótica ameaça animais nativos em lagoa do Rio de Janeiro

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Espécie exótica ameaça animais nativos em lagoa do Rio de Janeiro
O biólogo Bruno Meurer coleta amostras do mexilhão: espécie suporta grande variação de temperatura e pode reduzir quantidade de peixes / Crédito: Marcia Foletto

Uma espécie invasora está tomando conta da lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, palco de provas de remo e canoagem durante os Jogos Olímpicos, que acontecerão em agosto. As espécies invasoras são consideradas por estudiosos a segunda maior ameaça à biodiversidade do mundo, atrás apenas da destruição de habitats. Até o momento, não há controle sobre o mexilhão, que pode eliminar animais nativos, entupir tubulações e corroer estruturas.

Ainda não é possível dizer ao certo como nem quando o mexilhão foi parar na lagoa, mas há dois anos quatro biólogos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) publicaram um artigo na “Marine biodiversity records”, da Associação de Biólogos Marinhos do Reino Unido, informando que o bicho seria da espécie Mytilopsis leucophaeata, oriunda da costa atlântica dos Estados Unidos e do México. A identificação foi feita por meio de comparações com o que já havia sido registrado na literatura científica. Se comprovada por exames moleculares, este será o segundo registro do animal no Brasil: em julho de 2004, ele foi encontrado em Recife.

Segundo os pesquisadores da Uerj, o animal é bem semelhante ao mexilhão-zebra (Dreissena polymorpha). Mas o Dreissena é encontrado em água doce, enquanto o Mytilopsis, em água salobra. Nos Estados Unidos, o mexilhão-zebra chegou a infestar 40% das vias navegáveis, exigindo gastos de quase US$ 1 bilhão, entre 1989 e 2000, com medidas de controle. A espécie também já invadiu boa parte da Europa. No Brasil, segundo o Ministério de Meio Ambiente, não há registro.

Presidente da colônia de pescadores Z-13, Pedro Marins já sente os impactos causados pela espécie. De acordo com ele, a proliferação do mexilhão chama a atenção há três anos. “Esses mexilhões estão prejudicando nossa pesca, principalmente de robalo e tainha. Eles criam uma espécie de manta em cima das pedras do fundo do mar, onde os peixes se alimentam”, afirmou.

O biólogo Igor Miyahira, um dos autores do estudo da Uerj, pontua que os órgãos públicos deveriam fazer um acompanhamento e controlar a proliferação do animal, principalmente com a chegada das Olimpíadas. “Uma preocupação é a proliferação dessa espécie em outros pontos do Brasil e do mundo. É uma possibilidade que existe e não seria bom para ninguém. Depois que uma espécie invasora chega, é difícil eliminá-la. É um problema muito grande. Em Recife, o mexilhão chegou por água de lastro. Na lagoa, é pouco provável que isso tenha acontecido. Pode ter chegado em um barco contaminado, mas não temos certeza”, comentou.

Uma das hipóteses levantadas é de que o animal possa ter vindo com a árvore de Natal da lagoa Rodrigo de Freitas, construída no Rio Grande do Sul. No entanto, a empresa responsável pela estrutura, a Backstage, garantiu que a árvore fica armazenada em terra, sendo montada somente nas águas do espelho d’água.

Questionada sobre o invasor, a Secretaria municipal de Meio Ambiente informou que concentra suas atividades no monitoramento da qualidade da água da lagoa e disse que não houve qualquer alteração expressiva nas análises. Já a Secretaria estadual do Ambiente destacou que o mexilhão não consta da Lista Oficial de Espécies Invasoras do Estado, que passa por apreciação no Conselho estadual de Meio Ambiente. Segundo a pasta, a partir da aprovação dessa relação, será implantado o Programa Estadual de Gestão de Espécies Exóticas Invasoras, que vai estabelecer diretrizes para controle dos “imigrantes”.

Com informações do O Globo