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Greenpeace e índios Munduruku protestam contra construção de hidrelétricas no rio Tapajós

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Greenpeace e índios Munduruku protestam contra construção de hidrelétricas no rio Tapajós
Ativistas do Greenpeace e índios Munduruku protestam contra construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós

Cerca de 60 índios Munduruku se uniram, na última quarta-feira (26), a ativistas do Greenpeace para protestar contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no Pará. Com pedras, os manifestantes escreveram a frase Tapajós livre na areia de uma praia próxima à cachoeira de São Luiz do Tapajós, local previsto para receber a primeira hidrelétrica do projeto.

O empreendimento prevê cinco hidrelétricas na região, cuja soma da área dos reservatórios ultrapassa o tamanho da cidade de São Paulo. A área que será alagada é rica em biodiversidade e abriga uma das principais porções de floresta intacta do Brasil, afetando unidades de conservação e terras indígenas.

Com potência de 8.040 megawatts (MW), a usina São Luiz do Tapajós chegou a ter seu leilão anunciado para o dia 15 de dezembro, apenas 150 dias após o governo ter solicitado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a licença prévia. Quatro dias depois, o Ministério de Minas e Energia teve que voltar atrás e suspender o leilão após pressão do povo Munduruku, que não foi devidamente consultado sobre a obra.

“Às vésperas de mais uma conferência mundial sobre o clima – que pela primeira vez será realizada em um país pan-amazônico -, o Brasil insiste em seu plano de barrar todos os grandes rios da Amazônia, ignorando os alertas do clima e negando o direito de consulta prévia, livre e informada aos povos tradicionais da região, que terão seu modo de vida afetado de forma irreversível por essas obras”, disse Danicley de Aguiar, da campanha Amazônia, do Greenpeace.

“Se pensarmos no cenário de mudanças climáticas, essa aposta cega em uma fonte principal para a geração de energia aumenta enormemente a insegurança energética do país. Com o potencial que tem, o Brasil pode liderar uma verdadeira revolução energética, com a adoção de um circuito de energias limpas que complementam a geração nos meses de estiagem e reforçam a segurança energética do país”, explica Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

Com informações do Greenpeace