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Sopa plástica do Pacífico reflete impactos da ação humana nos mares

Fenômeno gera acúmulo de resíduos que chegam ao oceano

Sopa plástica do Pacífico reflete impactos da ação humana nos mares

A Grande Porção de Lixo do Pacífico, conhecida como sopa plástica do Pacífico, corresponde a uma zona de convergência de resíduos flutuantes, com concentração incomum de materiais como redes de pesca, embalagens, plásticos e microplásticos. O fenômeno ocorre na região entre a Califórnia e o Havaí, área marcada por correntes marítimas intensas e circulares. Nesse local atua o Giro Subtropical do Pacífico Norte, um grande sistema de correntes que gira em movimento circular, facilitando a chegada e o acúmulo de detritos e a fragmentação de materiais em partículas menores, como os microplásticos.

O tema tem atraído cientistas, órgãos ambientais e governos, pois, além das estimativas que indicam a entrada de milhões de toneladas de lixo no oceano anualmente, evidencia o impacto direto da ação humana nos mares, com origem principalmente em regiões costeiras, rios, embarcações e atividades industriais. O comportamento das correntes, por ser mais central, estável e pouco misturado a áreas vizinhas, favorece o acúmulo de plásticos lançados a milhares de quilômetros de distância. A baixa densidade e lenta degradação dos materiais também contribuem para o problema. Entre os impactos diretos está a pesca fantasma, causada por redes e apetrechos abandonados que continuam capturando animais marinhos.

Alvo de pesquisas há décadas, a sopa plástica do Pacífico se destaca pela densidade superior de resíduos em comparação a outras áreas do oceano, tornando-se símbolo da poluição marinha global por plástico. Atualmente, cientistas já identificaram porções semelhantes de lixo em outros grandes giros oceânicos, ampliando o desafio para diversos países.

Embora haja monitoramento por parte de alguns governos, as ações ainda não abrangem toda a dimensão do problema. Os impactos recaem diretamente sobre a vida marinha, principalmente pelo emaranhamento de animais em redes, linhas e cordas plásticas, o que dificulta a alimentação, aumenta a vulnerabilidade a predadores e pode causar morte por afogamento. Já os microplásticos podem entrar na cadeia alimentar e alterar o equilíbrio ecológico em diferentes níveis tróficos.

Segundo especialistas, o monitoramento é feito por satélites, navios de pesquisa, boias instrumentadas e modelos computacionais, que simulam o comportamento das correntes, antecipam rotas de detritos e analisam amostras para identificar origem, densidade e tipo de plástico. Essas informações orientam políticas públicas e ações internacionais. Para os pesquisadores, retirar o lixo do mar não é suficiente: é necessária a atuação conjunta de governos, empresas e população, com políticas de prevenção, educação ambiental e mudanças nos padrões de produção e consumo.

*Com informações do portal Estado de Minas.