Degradação dos oceanos avança em indicadores ambientais
Relatório aponta agravamento da degradação dos oceanos e avanço insuficiente das medidas de proteção

Diversos indicadores ambientais apontam o avanço da degradação dos oceanos. O alerta foi dado pelo relatório anual sobre a saúde dos oceanos, o Barômetro Starfish 2026. O estudo foi publicado na revista científica State of the Planet no dia 8 de junho, em comemoração ao Dia Mundial dos Oceanos.
A pesquisa foi produzida por 29 especialistas de 14 países, reunindo dados sobre o aquecimento dos oceanos, a elevação do nível do mar, a perda da biodiversidade, a poluição e a governança oceânica. Os autores apontaram que vários indicadores seguem em trajetória de degradação. Já as medidas de proteção, conservação e financiamento adotadas por governos, instituições e mercados avançam em ritmo mais lento.
Os resultados apresentados evidenciam uma elevação da taxa média do nível do mar de 4,2 milímetros por ano entre 2012 e 2025. No ano passado, ondas de calor marinhas afetaram 20% da superfície oceânica global, enquanto 84,4% dos recifes de coral foram expostos a níveis de estresse térmico capazes de provocar o branqueamento. Além disso, cerca de um quarto dos primeiros mil metros da coluna d’água dos oceanos já está submetido aos efeitos das mudanças climáticas, como aquecimento, acidificação e perda de oxigênio.
O relatório também aponta um recorde nas emissões globais de dióxido de carbono, que atingiram 38,1 bilhões de toneladas no último ano. Já a poluição plástica continua crescendo, com cerca de 130 milhões de toneladas acumuladas no ambiente marinho.
De acordo com Peter Thomson, os oceanos são o ponto central para a efetividade das ações climáticas e para a segurança energética e econômica, exigindo avanços mais rápidos na redução do uso de combustíveis fósseis e maiores investimentos em resiliência oceânica e economias azuis.
A pesquisa identificou falhas persistentes na governança dos oceanos, como a ausência de monitoramento em 67% dos navios pesqueiros industriais que operam em áreas marinhas protegidas. O enfraquecimento foi motivado por restrições orçamentárias, diminuição das atividades de campo e redução do número de profissionais especializados, fatores que contribuem para esse cenário preocupante.
Além das 1.685 espécies marinhas ameaçadas contabilizadas em escala global, existem 31 contratos ativos de exploração mineral em águas profundas que seguem em vigor.
Apesar dos resultados apresentados pelo estudo, a edição deste ano também identificou avanços institucionais, como o Tratado do Alto-Mar (BBNJ) e a ampliação das áreas marinhas protegidas, que atualmente abrangem 10% da superfície oceânica global.
Também foram adotadas novas medidas de proteção para tubarões e raias no âmbito do comércio internacional. Ainda assim, os autores observaram que apenas 3,2% dos oceanos são atualmente considerados altamente ou totalmente protegidos.