Greve Global pelo Clima

*José Eustáquio Diniz Alves

Os adolescentes que sempre foram vistos como imaturos e inconstantes estão dando uma lição aos seus pais e avós. Eles dizem que não querem repetir os versos de Belchior: “Ainda somos os mesmos, E vivemos, Como os nossos pais”.

A juventude mundial está começando a perceber que recebeu uma herança maldita das gerações anteriores e que é grande a possibilidade de um colapso ambiental em meados do século XXI. Relatório publicado pelo Centro Nacional de Descoberta do Clima da Austrália argumenta que, se nada for feito, as mudanças climáticas podem levar ao colapso da civilização humana até 2050.

Os cientistas acreditam que, no atual ritmo de aquecimento global, a temperatura subirá cerca de 3 graus Celsius nos próximos 30 anos: “Há um risco existencial para a civilização, com consequências negativas permanentes para a humanidade que nunca poderão ser desfeitas, aniquilando a vida inteligente permanentemente – ou reduzindo drasticamente seu potencial”.

Se as velhas gerações, pensando egoisticamente pouco fazem em defesa da natureza (pois já estarão mortas na segunda metade do século XXI), os jovens do mundo – os millennials – se preocupam com o futuro e a degradação das bases naturais da vida na Terra.

Os jovens já estão sentindo os efeitos do caos climático e ambiental. São inúmeros os casos de desastres provocados pelas mudanças climáticas. Se nos próximos 12 anos, a temperatura média do planeta alcançar mais de 1,5 graus Celsius, em relação ao período pré-industrial, os impactos na biodiversidade e na sociedade serão dramáticos, afetando a disponibilidade de alimentos, afetando a saúde e agravando as condições de vida. O impacto será maior entre os pobres e os jovens.

Segundo o Greenpeace, aqui no Brasil, alguns grupos já começaram a se articular para a “Greve Global pelo Clima”. No dia 14 de julho, cerca de 50 pessoas entre ativistas, representantes de ONGs e movimentos sociais se reuniram na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, para construírem juntos as próximas ações para a mobilização. Em um encontro de microfone aberto, todos puderam sugerir caminhos e expor ideias para um dos maiores desafios: fazer com que a população entenda a urgência do tema e se engaje nessa mobilização. Afinal, defender o clima estável é defender uma vida saudável, segura e em harmonia com o planeta. As ações humanas, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, são as principais aceleradoras do aquecimento global.

A Greve Global pelo Clima ganha força e se conecta com o movimento “Fridays for Future” (Sextas-feiras pelo Futuro), liderado pela jovem sueca Greta Thunberg, de 16 anos. A adolescente sueca, que se recusa a viajar de avião, por conta das altas emissões de CO2, viajará de barco para Nova Iorque, onde irá fazer uma fala na “U.N. Climate Action Summit”, em 21 de setembro de 2019, dentre outras atividades.

Na semana de 20 a 27 de setembro de 2019 haverá a “Greve Global pelo Clima”. Este movimento é mais urgente no Brasil, que está passando por um momento de ataque ecológico por parte do próprio governo brasileiro. Como disseram Ferrante e Fearnside (IHU, 02/08/2018): “Jair Bolsonaro, que assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2019 como o novo presidente do Brasil, tomou medidas e fez promessas que ameaçam a floresta amazônica brasileira e os povos tradicionais que a habitam. Os ruralistas, nomeadamente os grandes proprietários de terras e os seus representantes, que são uma parte fundamental da base política do novo presidente, estão a avançar uma agenda com impactos ambientais que se estendem a todo o mundo”.

O mundo vive uma situação de emergência climática e ambiental. Só uma união geral poderá evitar o colapso ecológico. A Greve Global pelo Clima pode unir as lutas específicas contra o classismo, o escravismo, o racismo, o sexismo, o homofobismo, o idadismo, o xenofobismo e o especismo. Sem condições climáticas e sem o fortalecimento da biocapacidade do Planeta não haverá perspectiva para as futuras gerações.

Portanto, os jovens brasileiros e todas as pessoas que se solidarizam com a natureza e a vida na Terra deveriam participar da “Greve Global pelo Clima”. É preciso superar os nacionalismos, os isolacionismos e os corporativismos.

A defesa do clima é de todos e pode unir todas as forças. O futuro da vida no Planeta depende da mobilização de todas as pessoas!

 

*José Eustáquio Diniz Alves é doutor em demografia

Fonte: EcoDebate

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