Romeu Zema quer ser um estadista?

*Dalce Ricas

Há cerca de 40 dias, 54 entidades e pessoas físicas formadoras de opinião, enviaram a Romeu Zema e Paulo Brant, ofício sobre questões ambientais no Estado, solicitando audiência com um dos dois. Não tivemos qualquer retorno. Em contato com assessor do governo eleito, foi nos dito que a demanda do processo de transição está ocupando todo o tempo e que passada, a sociedade será ouvida. A explicação seria aceitável, se não soubéssemos que o governador eleito já se reuniu com representantes do setor privado. Podemos então deduzir que o recado está dado, repetindo a velha história: o que importa é o setor produtivo. À sociedade, no máximo acenos e discursos demagógicos. Sem essa de pretender voz ativa na gestão dos recursos naturais.

Zema mantém falas contraditórias sobre a área ambiental, insistindo na necessidade de acabar com a morosidade no processo de concessão de licenças. Parece que é a única coisa que lhe interessa, o que é estranho, pois seu êxito como empresário demonstra que ele é um cara inteligente. E assim sendo, deve ter observado e concluído que os produtos vendidos em seus supermercados e postos de gasolina são todos retirados da natureza. Não nasceram nas gôndolas e nem nas bombas. Por que então suas falas sobre meio ambiente têm sido tão pobres e simplistas? Será que ainda não percebeu que a gestão correta e responsável dos recursos naturais não está ligada somente à concessão de licenças? Que a produção de bens e serviços não existe sem recursos naturais que são finitos e que seu bom uso também gera ganhos econômicos? Que há caminhos para conciliar atividades econômicas com a proteção da natureza?

A cada novo governo, principalmente quando o que se encerra foi ruim na área ambiental e na observância de princípios democráticos, sempre temos esperança de avanços. O que ora se encerra marcou sua passagem por grave arranhão na democracia, quando retirou da sociedade civil o direito de opinar sobre licenças ambientais. Se a iniciativa privada reclama, e com razão da morosidade no licenciamento, nós ambientalistas, da mesma forma e com a mesma razão, reclamamos da poluição e degradação da água, do desmatamento, do abandono das unidades de conservação, do sequestro de recursos da Semad, da ausência de políticas econômicas que incentivem a “economia verde”, da omissão e reação negativa, retrógada e ignorante das demais secretaria de governo às demandas ambientais, do CAR/PRA que não sai do lugar e do nosso direito de opinar.

E neste contexto Sr. Novo Governador, sugerimos que se lembre que a temática ambiental e a nomeação do secretário é assunto que interessa a outros setores da sociedade que não somente o produtivo e aos políticos. E se o senhor pretende ser um estadista, no bom sentido da palavra, não pode esquecer-se que governará para todos. E se quer ser mais do que isto, governará também para as florestas, rios e animais silvestres.

 

*Dalce Ricas é superintendente da Amda 

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