Por adesão à Opep+, Brasil ganha prêmio “Fóssil do Dia” na COP28

Crédito: Jarê Pinagé/ Engajamundo

Anúncio do ministro de Minas e Energia ofuscou protagonismo do país na agenda climática.

A contraditória adesão do Brasil à Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) rendeu ao país o prêmio “Fóssil do Dia” nesta segunda-feira (4). A premiação irônica é concedida diariamente a países que anunciam as piores medidas para o clima durante as conferências da ONU sobre mudanças climáticas.

A Climate Action Network (CAN), responsável pela premiação, justificou a escolha do Brasil pelo país "ter confundido a produção de petróleo com liderança climática". Para a organização, a corrida por petróleo compromete os esforços dos negociadores brasileiros em Dubai.

Ao que parece, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, achou que seria uma boa ideia reafirmar o compromisso do país com os maiores produtores mundiais de combustíveis fósseis logo no primeiro dia da COP.

Os anúncios que deveriam ser destaques da delegação brasileira, como a redução no desmatamento da Amazônia e a retomada da fiscalização ambiental, ficaram em segundo plano.

Na tentativa de contornar a situação, o presidente Lula disse que entrada na Opep+ seria uma forma de promover a transição para fontes renováveis de energia. O discurso gerou ainda mais polêmicas, pois o presidente não explicou de que forma isso seria feito.

Criada em 1960, a Opep+ reúne 13 grandes países produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Venezuela. As emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, são a principal causa das mudanças climáticas. Acabar com a matriz fóssil é essencial para limitar o aquecimento do planeta.

Além da entrada no clube dos petroleiros, o leilão de 603 blocos exploratórios de petróleo e gás fóssil em 13 de dezembro, um dia após o término oficial da COP28, também contribuiu para que o Brasil ganhasse o antiprêmio.

“Não dá para ter os pés em duas canoas ao mesmo tempo. Ou o Brasil é um líder climático com a missão de salvar a meta de 1,5ºC no caminho para a COP30, ou ele se aproxima do atraso entrando para a OPEP+, leiloando novos blocos de petróleo e abrindo a foz do rio amazonas para exploração”, pontuou Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima.

 

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