1 a cada 5 espécies de répteis corre risco de extinção

Jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii) é espécie rara encontrada no Brasil./ Crédito: Jonnie Roriz

Análise global mostra que dos 732 répteis encontrados no Brasil, 85 estão ameaçados.   

Nova pesquisa publicada na revista Nature, aponta que répteis como cobras, lagartos, crocodilos e tartarugas, estão mais ameaçados do que se imaginava. A primeira avaliação global dedicada ao grupo, realizada por 961 cientistas de todo o mundo, aponta que 1 a cada 5 espécies corre risco de extinção. Boa parte dos animais em perigo está no Brasil.

Das 10.196 espécies analisadas, ao menos 1.829 (21%) estão ameaçadas, indicou o estudo. Dos 732 répteis encontrados no Brasil, 85 estão em vias de extinção. A maioria não ocorre em nenhum outro lugar do mundo. As principais ameaçadas às espécies são: expansão urbana e agrícola, extração madeireira, invasão de outras espécies em seus habitats e mudanças climáticas.

O levantamento aponta que 30% dos répteis que vivem em florestas estão em risco de extinção, onde as ameaças são mais intensas. O percentual de espécies em perigo cai para 14% em zonas áridas.

Conservação

A pesquisa apresenta também as consequências da perda dos répteis e a importância da conservação desses animais. Se cada uma das 1,8 mil espécies do grupo sumirem da Terra, perderíamos 15,6 bilhões de anos de história evolutiva, incluindo inúmeras adaptações para viver em diversos ambientes. 

“Muitos répteis, como o tuatara ou a tartaruga Carettochelys insculpta são como fósseis vivos, cuja perda significaria o fim não apenas de espécies que desempenham papéis únicos no ecossistema, mas também de muitos bilhões de anos de história evolutiva", explicou o coautor do estudo Michael Hoffmann, da Sociedade Zoológica de Londres.

Os autores afirmam que não há uma forma única de proteger as espécies, já que cada uma possui características e necessidades distintas, mas indicam a manutenção dos ambientes naturais e o controle de espécies invasores como formas de conter as extinções.

“Os répteis não são frequentemente usados ​​para inspirar ações de conservação, mas são criaturas fascinantes e desempenham papéis indispensáveis ​​nos ecossistemas de todo o planeta. Todos nós nos beneficiamos de seu papel no controle de pragas e servindo como presas para pássaros e outros animais”, destacou o Dr. Sean O'Brien, presidente e CEO da NatureServe. 

 

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