Dep. Rosângela Reis quer reabrir tráfego em estrada que atravessa o Parque do Rio Doce (MG)

Gameleira no Parque Estadual do Rio Doce/Crédito: Ricardo Solar [CC BY-NC-SA]

A abertura seria um desastre para a fauna.

Press release

Belo Horizonte, 09 de maio de 2022 – A Dep. Estadual Rosângela Reis (PODE) anunciou em seu site que o governador Romeu Zema lhe comunicou a disponibilização de verba para restaurar a Ponte Queimada, no Parque Estadual do Rio Doce. Ela conecta a estrada que liga os municípios de Pingo D'Água e Timóteo, atravessando a Mata dos Campolinas, única área com Mata Atlântica primária do parque e uma das últimas do país.

Em carta aberta à parlamentar, 26 entidades criticaram e contestaram a possibilidade de abertura. No ofício, disponibilizado no site, o governo menciona que a recuperação poderá ser feita com os recursos repassados pela Fundação Renova, em função do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana. Mas não se compromete em reabrir a estrada.

As entidades temem, no entanto, que isto aconteça. “O atual governo de Minas tem se mostrado extremamente susceptível a pressões políticas. Tememos pelo parque, mesmo sabendo que o corpo técnico do IEF não concorda com a abertura. A sociedade civil tem de ficar vigilante”, alerta Dalce Ricas, superintendente da Amda.

A diretora-geral do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Maria Amélia de Coni e Moura Mattos Lins, em reunião realizada no dia 30 de março com a Amda, garantiu que a estrada não será reaberta, conforme, inclusive, prevê o Plano de Manejo do parque. Seu uso será interno para deslocamentos necessários a incêndios ou atendimento ao turismo e educação ambiental. Para tanto o tráfego será controlado por guarita.

Fechada há quase meio século, sua reabertura implicaria em atropelamento de fauna, incêndios, geração de lixo, além de facilitar a entrada de invasores e caçadores.

Para as organizações, embora a visitação e o turismo sejam previstos pelo Plano de Manejo da unidade de conservação, seu principal objetivo é a proteção da biodiversidade. O parque do Rio Doce “é uma relíquia ambiental e banco genético inestimável, abrigando animais raros e altamente ameaçados como onça pintada, antas, papagaios chauás, muriquis e outros”, destacaram as ONGs.

Ameaças

Segundo as organizações, uma das maiores ameaças ao parque é causada pela ocupação de sua zona de amortecimento, que está isolando a unidade dos ambientes naturais que restaram no Vale do Rio Doce, o que traz consequências devastadoras para a sua biodiversidade. Nas áreas invadidas, o número de incêndios também aumentou nos últimos anos.

As organizações listaram providências urgentes que devem ser tomadas para proteção do parque. Entre elas, a priorização de estudos e elaboração de projeto de conectividade entre o parque e outros fragmentos de Mata Atlântica com o dinheiro repassado pela Renova, e paralisação imediata da ocupação na zona de amortecimento e demolição das construções ilegais.

 

Assinaram:

Amigos de Iracambi (MG)
Angá – Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro (MG)
Apoena - Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (SP)
Articulação Antinuclear Brasileira (AAB))
Associação Alternativa Terra Azul (DF)
Associação Ambientalista Copaíba (SP)
Associação Ambientalista Floresta em Pé - AAFEP (SP)
Associação de Preservação Pró Pouso Alegre (MG)
Associação Defensores da Terra (RJ)
Associação MarBrasil (PR)
Associação Mico Leão Dourado (RJ)
Associação Mineira de Defesa do Ambiente – Amda (MG)
Associação Onda Verde Preservando o Meio Ambiente (RS)
Crescente Fértil (RJ)
ECOA – Ecologia & Ação (MS)
Gambá - Grupo Ambientalista da Bahia (BA)
Instituto Floresta Viva (BA)
Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental (SC)
Instituto MIRA-SERRA (RS)
MDPS Mov. de Defesa de Porto Seguro (BA)
Movimento Verde de Paracatu (MG)
Organização Ambiental Sócio Agro Arte Cultural Brinque e Limpe, do Paraná (PR)
Reapi - Rede Ambientalista do Piauí (PI)
Relictos Associação de Defesa do Ambiente (MG)
SAVE Brasil (SP)
SOS Mata Atlântica
SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (PR)

Rua Antares, 100, Santa Lúcia
Belo Horizonte / MG CEP: 30360-110
Telefone: (31) 3291 0661

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