Espécie rara e ameaçada de borboleta é reencontrada em Brumadinho

Crédito: Divulgação/Vale

A espécie foi avistada por biólogos e pesquisadores que trabalham na recuperação da fauna em Brumadinho.

Desaparecida há 10 anos das matas de galeria às margens do rio Paraopeba, em Brumadinho, na Grande BH, a borboleta ribeirinha (Parides burchellanus) foi reencontrada por biólogos e pesquisadores durante monitoramento da área afetada pelo rompimento da barragem da Vale, em 2019.

Endêmica do Cerrado, a borboleta ribeirinha está criticamente ameaçada de extinção. A espécie vive isolada em pequenos grupos em Planaltina, no Distrito Federal, na Serra da Canastra e em Brumadinho, Minas Gerais. Além da distribuição restrita, o inseto sofre com o crescimento urbano e o avanço da agropecuária, que afeta diretamente os ambientes onde vive: as matas à beira de córregos e rios no Cerrado.

A perda do habitat natural, devido ao desmatamento, poluição e outras intervenções humanas pode levar ao desaparecimento de espécies como a borboleta ribeirinha, afirma Marina Beirão, especialista em borboletas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“Por isso, o programa de monitoramento que está sendo realizado pela Vale em parceria com especialistas acadêmicos é de extrema importância para gerar conhecimento científico e subsidiar projetos para recuperação e conservação das áreas impactadas pelo rompimento e áreas do entorno onde estão sendo registrados estes animais", afirmou a bióloga, ao Estado de Minas.

Em uma área de 115 km², os pesquisadores encontraram cinco grupos de ribeirinhas. Em três locais de observação, elas nunca haviam sido registradas. Cerca de 60 borboletas foram encontradas, das quais 65% são machos e jovens. Os biólogos também identificaram exemplares de Aristolochia chamissonis, trepadeira popularmente conhecida como papo-de-peru, que é o principal alimento da borboleta durante a fase larval.

Importância ecológica

As borboletas desempenham papel importante na manutenção dos ecossistemas. Além de atuarem como polinizadoras, contribuindo com a reprodução das espécies vegetais, estes insetos são indicadores biológicos, ou seja, são capazes de apontar a qualidade dos ambientes.

As borboletas ribeirinhas, embora se alimentem apenas de uma planta na fase larval, passam a consumir variadas flores na fase adulta, ajudando na polinização de inúmeras espécies presentes nas matas de galeria. As borboletas ainda auxiliam na devolução da vegetação local, ajudam na recuperação das áreas impactadas pelo rompimento e promovem a captura de CO2 da atmosfera.

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