Brasil recebe mais um prêmio “Fóssil do Dia” por perseguição a indígenas

Declaração de Bolsonaro motivou onda de ódio contra jovem indígena que discursou na COP26. Ativistas denunciam “comportamento desprezível” que ocorre no país.

Pelo tratamento “horrível e inaceitável” aos povos indígenas, o Brasil recebeu mais um prêmio “Fóssil do Dia” durante a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), que acontece em Glasgow, na Escócia. A premiação irônica é dada por ambientalistas a nações que “fazem o máximo para conseguir o mínimo” e “se esforçam para ser os piores” no enfrentamento às mudanças climáticas.

A escolha ocorreu logo após os ataques à ativista brasileira Txai Suruí. Enquanto o mundo elogiou seu discurso na COP, sobre os impactos da crise climática sobre os povos indígenas, Jair Bolsonaro a criticou por “atacar o Brasil”. Embora não tenha citado Suruí nominalmente, a fala do presidente foi clara o bastante para promover onda de ódio contra a jovem de apenas 24 anos.

“Depois desse pronunciamento dele, venho recebendo muitas mensagens racistas, misóginas, mensagens de ódio nas minhas redes sociais, fake news, querendo descredibilizar o meu discurso, a minha pessoa. Sendo que eu estou em uma luta que não é só minha”, afirmou a jovem.

Segundo a Climate Action Network (CAN), ONG responsável pela premiação, a ativista chegou a ser intimidada por um representante do Ministério do Meio Ambiente, que disse que ela não devia “bater no Brasil”. Dias depois, outro integrante da comitiva brasileira, ligado ao lobby do agronegócio, foi detido por seguranças da conferência por tentar intimidar mulheres indígenas, informou a organização.

“Esse comportamento desprezível está bem documentado no Brasil; invasões de terras indígenas dispararam; a mineração de ouro está poluindo os cursos d'água, a intimidação é abundante e eles têm um vice-presidente que justificou negar água doce às aldeias atingidas por Covid porque os índios bebem dos rios”, denunciou a CAN.

A ONG também criticou a atitude de Bolsonaro, que faltou à conferência do clima, mas ironizou que isso foi “uma coisa boa, pois permitiu que os diplomatas do país estivessem prontos para se comprometerem e até mesmo assinarem acordos sobre metano e florestas.”

Representado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, o Brasil anunciou meta de redução de 50% das emissões de gás carbônico e metano até 2030. O país também se comprometeu a zerar o desmatamento até 2028. No entanto, as promessas foram recebidas com protestos de ativistas, que denunciaram falta de ações para cumprir os acordos.

2º lugar

Nesta quarta-feira (10), o Brasil recebeu outro prêmio “Fóssil do Dia”, dessa vez, o segundo lugar. O ouro ficou com a Austrália, que entre outras decisões, aprovou três novos projetos de carvão nos últimos meses e descartou a assinatura do compromisso global para redução de metano. A premiação é concedida diariamente durante as conferências do clima da ONU desde 1999.

A entrega do segundo prêmio ao Brasil na COP26 foi motivada por dados alarmantes, divulgados pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), que mostram que o país aumentou em 25% o volume de subsídios concedidos a empresas de combustíveis fósseis entre 2019 e 2020, totalizando 22 bilhões de dólares.

“Isso eclipsa, de alguma forma, o orçamento da educação do país, que a Câmara dos Deputados relatou ter caído 56% entre 2014 e 2018, de cerca de US$ 2,3 bilhões para pouco mais de US$ 1 bilhão”, explicou a Climate Action Network.

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