Onça-parda volta ao Rio de Janeiro após 80 anos desaparecida

Considerada o segundo maior felino do Brasil, a onça-parda não era vista na cidade do Rio desde 1930.

Depois de passar oito décadas sem ser vista na cidade do Rio de Janeiro, registros confirmaram o reaparecimento da onça-parda na capital fluminense, onde era considerada extinta. Câmeras de segurança flagraram o animal no Sítio Burle Marx, na zona oeste da cidade, confirmando a suspeita de pesquisadores, que investigam, desde 2007, o paradeiro do felino.

O trabalho, conduzido por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), atesta a presença do animal em mais de uma localidade. Em setembro, o grupo publicou artigo na revista científica Check List, detalhando a busca pela onça, que não era vista na cidade do Rio desde 1930.

Além do Sítio Burle Marx, os pesquisadores fizeram buscas em outros parques do estado, à procura de possíveis vestígios do animal, como arranhões e pegadas. Eles conseguiram confirmar a presença da onça em mais outros locais, como a Reserva Biológica de Guaratiba e os parques estaduais da Pedra Branca e do Mendanha.

“Conseguimos comprovar que a onça-parda está realmente no município, não são ocorrências isoladas. Temos registros feitos mais ou menos na mesma época em lugares diferentes”, explicou Jorge Pontes, biólogo e professor da UERJ.

A volta da onça-parda é resultado dos esforços para recuperação das florestas do Estado. “A importância de termos um animal desse porte, um predador do alto da cadeia alimentar, é que a sua presença indica que ainda temos condições de sustentar esse felino, de que ainda temos uma fauna residual de importância”, analisa Jorge.

O biólogo e outros pesquisadores também descobriram, em 2020, a volta do cateto (ou porco-do-mato) à região. O retorno do cateto pode estar interligado ao da onça-parda, uma vez que o porco é presa do felino.

“Quando conseguimos preservar, temos um aumento populacional de indivíduos. E temos tido muitos avistamentos de onças em outros parques estaduais também, como na região serrana”, é o que diz Philipe Campello, presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Onça-parda

A onça-parda é o segundo maior felino do Brasil, atrás apenas da onça-pintada. O comprimento dos indivíduos adultos varia de 1,5 a 2,75 metros, chegando a pesar até 72kg. Sua pelagem pode variar entre cinza, ferrugem, marrom e bege. No período reprodutivo, adultos podem ser vistos aos pares, mas seus hábitos são, sobretudo, solitários.

Ocorre desde o Canadá até a região meridional da cordilheira dos Andes. No Brasil, está presente em praticamente todos os biomas, mas com populações maiores principalmente na região Centro-sul da Mata Atlântica. Alimenta-se tanto de mamíferos de grande porte como de animais pequenos, como roedores e invertebrados.

Apesar de não ser uma espécie ameaçada a nível global, a sobrevivência da onça-parda no Brasil está em risco. De acordo com o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, o felino é considerado “vulnerável” no país.

 

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